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CRBM 5

Questão de Atualidades e Conhecimentos Gerais

1 Na década de 1990, um professor da USP de São Carlos descobriu uma maneira de sintetizar a fosfoetanolamina, uma molécula naturalmente encontrada no nosso corpo. Com base em poucas evidências do século 20 que tinham observado a substância presente em tumores, o cientista desenvolveu uma hipótese: a “fosfo” 4 poderia alertar o sistema imunológico sobre células cancerosas, sendo, assim, uma forma de tratamento. O próximo passo seria colocar a ideia à prova em pesquisas pré-clínicas, com células e animais. Mas não foi isso que aconteceu. O professor começou a produzir a molécula em seu laboratório e a distribuir pílulas gratuitamente 7 para pacientes com câncer, de maneira informal. Graças ao boca a boca, o esquema de distribuição bombou nos anos 2000. Não há registros de quantos medicamentos foram fabricados, mas reportagens da época falam em centenas de pacientes indo ao Instituto de 10 Química da USP de São Carlos todos os meses para o “tratamento”, por muitos anos. Há inclusive relatos de que pacientes eram recomendados a não fazer quimioterapia, porque, supostamente, a fosfo só funcionaria se o sistema imunológico estivesse intacto. 13 O caso só foi receber atenção em 2014, quando a universidade decidiu proibir a distribuição de qualquer medicamento que não tivesse autorização prévia da Anvisa. Revoltados, pacientes e suas famílias passaram a entrar na justiça para obrigar a instituição a fornecer a “pílula do câncer” — e muitas vezes conseguiam. Parte da mídia 16 comprou a história, e a fosfo virou pauta nacional. O que se seguiu foi um circo. Com base em informações incompletas e sem entender o método científico, parte da sociedade se convenceu de que um cientista brasileiro tinha encontrado a cura do câncer (de todos os tipos da doença, diga-se), mas estava sendo impedido de distribuí-la 19 de graça. Críticos que pediam cautela e alertavam para os riscos de disseminar um suposto medicamento sem testá- lo eram tachados de invejosos, maldosos e insensíveis. A história chegou a Brasília. Em 2016, deputados e senadores aprovaram, por unanimidade e em tempo 22 recorde, uma lei que permitia a produção e a venda da fosfoetanolamina mesmo sem o aval da Anvisa — um absurdo populista. A lei foi sancionada sem vetos, mas, felizmente, o STF derrubou a norma pouco tempo depois. A pressão pública, porém, continuava, e o próprio governo federal encomendou e financiou estudos de segurança e eficácia. 25 Análises laboratoriais sérias mostraram que as pílulas distribuídas tinham pouca fosfoetanolamina e muitas impurezas — o que faz sentido, considerando que um laboratório universitário de análises não segue os mesmos padrões e protocolos de um laboratório de produção farmacêutica. 28 O golpe final veio em 2017, quando o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) divulgou os resultados de um ensaio clínico com pacientes com câncer. O estudo foi interrompido no meio porque não havia qualquer sinal de melhora e seria antiético continuar incluindo voluntários. A pílula milagrosa e midiática, distribuída como uma 31 cura para mais de uma centena de tipos de câncer, não funcionava. O caso da fosfo é um exemplo claro do que ocorre quando a euforia e a emoção saem do controle e se sobrepõem ao processo científico. E é bom lembrar dele em tempos de polilaminina. Bruno Carbinatto. Polilaminina: o que a “pílula do câncer” nos ensinou sobre apressar a ciência. In: Superinteressante, 13/3/2026. Internet: <https://super.abril.com.br/saude/polilaminina-o-que-a-pilula-do-cancer-nos-ensinou-sobre-apressar-a-ciencia/> (adaptado).

De acordo com o texto, a primeira principal reviravolta no caso da fosfo ocorreu a partir da

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.