Questões de Língua Portuguesa · Instituto Referência

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Questão de Língua Portuguesa

Cuia Lindaura, a recepcionista do analista de Bagé — segundo ele, “mais prestimosa que mãe de noiva” —, tem sempre uma chaleira com água quente pronta para o mate. O analista gosta de oferecer chimarrão a seus pacientes e, como ele diz, “charlar passando a cuia, que loucura não tem micróbio”. Um dia entrou um paciente novo no consultório. — Buenas, tché — saudou o analista. — Se abanque no más. O moço deitou no divã coberto com um pelego e o analista foi logo lhe alcançando a cuia com erva nova. O moço observou: — Cuia mais linda. — Cosa mui especial. Me deu meu primeiro paciente. O coronel Macedônio, lá pras banda de Lavras. — A troco de quê? — quis saber o moço, chupando a bomba. — Pues tava variando, pensando que era metade homem e metade cavalo. Curei o animal. [...] O moço deu outra chupada, depois examinou a cuia com mais cuidado. — Curtida barbaridade. — Também. Mais usada que pronome oblíquo em conversa de professor. — Olgatê. E a todas estas o moço não devolvia a cuia. O analista perguntou: — Mas o que é que lhe traz aqui, índio velho? — É esta mania que eu tenho, doutor. — Pos desembuche. — Gosto de roubar as coisas. — Sim. Era cleptomania. O paciente continuou a falar, mas o analista não ouvia mais. Estava de olho na sua cuia. — Passa — disse o analista. — Não passa, doutor. Tenho esta mania desde piá. — Passa a cuia. — O senhor pode me curar, doutor? — Primeiro devolve a cuia. O moço devolveu. Daí para diante, só o analista tomou chimarrão. E cada vez que o paciente estendia o braço para receber a cuia de volta, ganhava um tapa na mão. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Todas as histórias do analista de Bagé. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Assinale a opção CORRETA em relação ao texto apresentado:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.