Língua PortuguesaInterpretação de textosINSTITUTO MAIS 2020
HC FMRP USP
Questão de Língua Portuguesa
EDITAL N.º 20/2020 201 – TÉCNICO DE ENFERMAGEM o RESPONDA A TODAS AS QUESTÕES. o A DURAÇÃO DA PROVA É DE 3 HORAS E 30 MINUTOS. o A SAÍDA DO CANDIDATO DO PRÉDIO SERÁ PERMITIDA APÓS TRANSCORRIDO O TEMPO MÍNIMO ESTABELECIDO NO Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5. Esquecimento e negligência na ciência Com a enxaqueca eu fui obrigado a fazer buscas em uma literatura médica antiga, esquecida — uma literatura que a maioria dos meus colegas considerava desbancada ou obsoleta. E me vi em posição semelhante com a síndrome de Tourette. Meu interesse por essa condição surgiu em 1969, quando consegui “despertar” vários pacientes pós-encefalíticos com levodopa e vi quantos deles passaram rapidamente de estados imóveis semelhantes ao transe para uma breve “normalidade” e então chegaram ao extremo oposto: estados violentamente hipercinéticos, cheios de tiques, muito semelhantes à quase mítica “síndrome de Tourette”. Digo “quase mítica” porque, nos anos 1960, não se falava muito sobre essa doença; ela era considerada raríssima e possivelmente factícia. Eu só ouvira falar vagamente sobre ela. De fato, em 1969, quando comecei a pensar sobre o assunto, porque meus pacientes estavam se tornando palpavelmente touréticos, tive dificuldade para encontrar referências atuais e precisei, mais uma vez, recorrer à literatura do século anterior: os artigos originais de Gilles de la Tourette escritos em 1885 e 1886, além de dezenas de relatos que se seguiram. Aquela foi uma era de descrições esplêndidas, a maioria em francês, das variedades de comportamento de tique, e culminou no livro Les Tics et leur traitement, publicado em 1902 por Henri Meige e E. Feindel. Contudo, entre 1907, quando essa obra foi traduzida para o inglês, e 1970, a síndrome parecia ter quase desaparecido. Por quê? Devemos nos perguntar se a causa dessa negligência não seriam as pressões crescentes no começo do novo século para que se procurasse explicar os fenômenos científicos, deixando para trás o tempo em que apenas descrevê-los já era suficiente. E a síndrome de Tourette era singularmente difícil de explicar. Suas formas mais complexas podiam expressar-se não só como movimentos e ruídos convulsivos, mas também como tiques, compulsões, obsessões e tendências a fazer piadas e trocadilhos, a brincar com fronteiras, fazer provocações sociais e ter fantasias elaboradas. Houve tentativas de explicar a síndrome em termos psicanalíticos, mas apesar de lançarem alguma luz sobre alguns dos fenômenos, elas não podiam explicar outros; estava claro que havia também componentes orgânicos. Em 1960, a descoberta de que o haloperidol, uma droga que bloqueia os efeitos da dopamina, podia extinguir muitos dos fenômenos da síndrome de Tourette gerou a hipótese muito mais tratável de que se estava lidando com uma doença essencialmente química, causada por um excesso do neurotransmissor dopamina (ou uma sensibilidade excessiva a ela). (SACKS, de Oliver. O Rio da Consciência, Companhia das Letras, 2017).
Em sua coletânea póstuma de textos sobre ciência, medicina e neurologia, Oliver Sacks reflete a respeito de muitos aspectos de sua formação. No trecho citado, é correto afirmar que
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
