Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoAvança SP 2026
CM Holambra
Questão de Língua Portuguesa
Faço todos os dias o mesmo percurso, mas nunca tinha olhado para a copa daquela árvore, hoje nua por causa da poda de inverno; talvez por isso pouco atraente para mim... Vinha caminhando, sentindo o vento refrescar meu corpo úmido de suor, quando um barulho diferente me fez diminuir a marcha. Olhei em volta, procurando descobrir a sua procedência, pois naquela hora da tarde destacava-se entre os murmúrios da rua, que se preparava preguiçosamente para o jantar. Tentei identificar o som, pois não me era estranho. Então percebi que ele vinha do alto, de algum lugar bem em cima de mim. Parei e ergui o olhar. Ali estava: a pipa colorida, novinha, enroscada entre os galhos pelados da árvore e os fios de alta tensão. Sua rabiola de franjas debatia-se furiosamente sob o impulso do vento enquanto a pipa parecia tremer, em desespero, produzindo aquele som que chamara a minha atenção. Fiquei um momento a contemplá-la. Um pedaço de linha ainda pendia dela, enroscada na árvore... E de pronto aquela sensação de tristeza foi tomando conta de mim. Aquela pipa deveria estar no céu, dançando e fazendo piruetas, desafiando o vento para subir mais e mais alto, fazendo a alegria de alguma criança! E, no entanto, alguma fatalidade tinha-a derrubado, condenando-a a morrer ali, presa entre os galhos e os fios... Mesmo assim, ainda se debatia, em vão, e reagia às rajadas de vento como se não acreditasse que estava presa... Meu coração encolheu-se, angustiado, ao ver este quadro, pois de repente me pareceu a representação dos nossos sonhos, às vezes arrastados por maus ventos e jogados ao chão, no meio dos galhos das árvores, dos fios elétricos, detidos em sua ascensão, chorados, mas finalmente esquecidos à intempérie até perderem as cores, até o papel rasgar e se desfazer, restando tão só o esqueleto das varetas... Pois sempre fica esta triste armação resistindo, como que dizendo que ainda serve, que se alguém a resgatar e colar nela um novo papel e uma nova rabiola ainda será capaz de elevar-se e desafiar o vento, de arrancar o sorriso de uma criança... (...) ALDUNATE, Paz. Pipas esquecidas. Folha de Londrina. Disponível em <https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/cronicas--pipas-esquecidas-619121.html>.
O texto “Pipas esquecidas” desenvolve uma comparação entre:
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