Língua PortuguesaCoerência textualVunesp 2010
Pref SBC
Questão de Língua Portuguesa
Livro: um objeto anacrônico? Num artigo publicado em 2007, José Mindlin escreveu que o livro “tanto pode continuar sua trajetória de mais de 550 anos, como pode desaparecer em sua forma atual; mas apesar do risco de uma afirmação categórica, não tenho dúvidas de que vai permanecer”. Concordo com o otimismo de Mindlin. (...) Mas talvez seja mais exato dizer, ainda citando Mindlin, que a “leitura encontrou formas paralelas de existência”. Ou seja, o texto na tela é uma das alternativas ao livro. Para um leitor compulsivo que viaja muito, é preferível levar um e-book no bolso a carregar uma mala de livros. Mas para um leitor razoavelmente sedentário – e aí entram a subjetividade e as delícias do gozo – é mais prazeroso escolher um livro na estante de sua casa ou de uma biblioteca e lê-lo com interesse e paixão, anotando frases ou trechos que expressam uma ideia, reflexão, cena ou diálogo relevantes. Apesar do avanço da tecnologia eletrônica – que um dia nos permitirá ler textos flutuando no ar – o livro de papel ainda tem algo de artesanal na sua concepção e impressão: da fonte a ser usada no miolo à escolha da capa, o tipo da orelha e da quarta-capa, o tipo de papel etc. Talvez muitos jovens de hoje não sintam falta desse processo que é ao mesmo tempo artesanal e tecnológico. Mas para um dinossauro que ainda usa sua caligrafia para esboçar a primeira versão de um texto, o lado artesanal é importante. Além disso, essa frase de um conto de Machado de Assis faz pleno sentido se lida no papel: “Sim, minha senhora... as palavras têm sexo”. Talvez no futuro o livro de papel seja um objeto de culto e prazer de uma imensa minoria de seres anacrônicos. Mas quem – a não ser cartomantes e poderosas mentes apocalípticas – pode prever o futuro? Não oponho qualquer resistência ao livro digital, muito menos ao computador, que facilitou a vida de todo mundo. Afinal, qualquer texto de Kafka, na tela ou no papel, será um texto de Kafka. A questão mais funda e, no limite, sem resposta, é saber se no futuro haverá leitores. (Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo, 30.04.2010. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se observa compatibilidade de sentido entre as frases.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



