Língua PortuguesaEscolas literárias brasileirasVunesp 2025
UNESP
Questão de Língua Portuguesa
Não creias, Lídia, que nenhum estio1 Por nós perdido possa regressar Oferecendo a flor Que adiamos colher. Cada dia te é dado uma só vez E no redondo círculo da noite Não existe piedade Para aquele que hesita. Mais tarde será tarde e já é tarde. O tempo apaga tudo menos esse Longo indelével rasto2 Que o não-vivido deixa. Não creias na demora em que te medes. 3 Jamais se detém Kronos cujo passo Vai sempre mais à frente Do que o teu próprio passo. (Sophia de Mello Breyner Andresen. Coral e outros poemas, 2018.) 1 estio: verão. 2 rasto: rastro. 3 Kronos: do grego khrónos, “tempo”. Na mitologia grega, titã do tempo.
Conforme sugerido pelo próprio título da seção, trata-se de um poema escrito à maneira de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico do poeta Fernando Pessoa (1888-1935). A exemplo do que ocorre com frequência na poética de Ricardo Reis, o eu lírico configura aqui o seguinte tópico clássico:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

