Língua PortuguesaAspas, travessão e parêntesesCCON UFSM 2025
UFSM
Questão de Língua Portuguesa
A reforma do Novo Ensino Médio, aprovada em 05 2016, trouxe como principal mudança a divisão das horas-aula entre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e os itinerários formativos, matérias à parte que seriam de escolha do estudante. Das 3 mil horas ao longo dos três anos de Ensino Médio, 1.800 10 seriam da BNCC – matérias como sociologia, matemática, geografia e química – e as 1.200 restantes deveriam ser compostas com matérias optativas. Na revisão de 2023, a carga horária dos itinerários formativos foi reduzida de 1.200 para 600 15 horas, mas pesquisadores concordam que, para implementar na educação pública, esse modelo ainda se mostra desastroso. Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, dá detalhes sobre o novo modelo de aulas. 20 Políticas públicas O professor explica que há grande desigualdade entre o número de matrículas das escolas públicas e particulares no Ensino Médio: “88% das matrículas do Ensino Médio estão na escola pú- 25 blica, então é importante a gente olhar para esse dado com foco na escola pública”. [...] Segundo Cássio, é difícil pensar numa grande reforma de flexibilização curricular, com a promessa de atrair de volta estudantes para a escola, sem que haja 30 um aumento definitivo do investimento em educação pública: “A gente tem um desenho de um sistema de educação universal, gratuito e público, de ampla cobertura, mas que não tem professores suficientes, salas de aulas suficientes”. 35 Problema conceitual O Brasil possui mais de 70 milhões de pessoas sem escolarização básica completa, ou seja, nove anos de ensino fundamental e três de Ensino Médio. A reforma foi pensada para tentar reverter esse 40 quadro preocupante, mas, conforme explica Fernando Cássio, a evasão escolar está mais relacionada à falta de condições econômicas dos alunos mais pobres e às dificuldades sociais ao redor da escola do que propriamente à composição curricular. 45 “A explicação que os reformadores encontraram em 2016 para justificar a reforma era que os jovens não ficam na escola porque a escola é chata, é muito ultrapassada, um monte de clichês empilhados que conformam um discurso de base moral, porque já co- 50 loca as pessoas que vão criticar esse tipo de modelo como se fossem elas as reacionárias”, conta o docente. Para Fernando Cássio, a implementação dos itinerários está relacionada a um projeto de alienação dos alunos pobres, visto que, nos colégios particulares, os 55 itinerários ocorrem no contraturno e não prejudicam o aprendizado pleno das matérias da BNCC que caem no vestibular. “Ao invés de aprender química básica, para entender como funciona o ciclo do carbono e, portanto, entender como é que funciona o aquecimento global, 60 o aluno vai estudar bolo de pote, brigadeiro gourmet, como fabricar um tijolo, coisas assim,” elucida. Na prática Para atender à demanda da reforma, os governos estaduais elaboraram diversas matérias alternati- 65 vas para serem oferecidas às escolas como parte dos itinerários formativos. O problema é que, na prática, não há condições materiais para instaurar todos os itinerários de maneira plena nas escolas públicas, e os professores muitas vezes se veem na 70 obrigação de ministrar aulas para as quais não possuem conhecimento: “Quando a reforma começou a ser implementada nas redes, o problema começou a aparecer. O Rio Grande do Sul, por exemplo, criou 24 itinerários formativos. O Rio de Janeiro criou 18, 75 e São Paulo criou 11. Mas, quando você vai à escola, é ofertado 1, 2,” expõe o professor. Mesmo entre os colégios públicos, há desigualdades na oferta de ensino: “Os dados mostraram que o estudante não tem escolha. Essa escolha é 80 ainda mais restrita nas escolas mais pobres. Quanto mais vulnerável é a escola, e quanto mais vulnerável é a condição do estudante, menos escolha tem”, finaliza Fernando Cássio. Fonte: PEROSSI, J. Itinerários formativos impactaram negativamente a educação pública no Brasil. Jornal da USP, 11 nov. 2024. Disponível em: <https://jornal.usp.br/radio-usp/ itinerarios-formativos-impactaram-negativamente-educacaopublica-no-brasil/>. Acesso em: 13 nov. 2024. (Adaptado) 02
Com relação ao emprego da pontuação, considere as afirmativas a seguir. I → O emprego da vírgula na linha 07 obedece à mesma regra que o emprego das vírgulas nas linhas 17 e 18. II → No trecho “[...] a carga horária dos itinerários formativos foi reduzida de 1.200 para 600 horas, mas pesquisadores concordam que” (ℓ. 13-15), a vírgula separa uma oração coordenada assindética de uma oração coordenada sindética adversativa. III → Se o trecho “matérias como sociologia, matemática, geografia e química” (ℓ. 10-11), juntamenente com os travessões que o acompanham, fosse excluído, uma vírgula deveria ser acrescentada antes da conjunção “e” (ℓ. 11). IV → No trecho “mas pesquisadores concordam que, para implementar na educação pública, esse modelo ainda se mostra desastroso” (ℓ. 15-17), as vírgulas sinalizam a intercalação de uma oração subordinada adverbial final. Está(ão) correta(s)
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

