Questões de Língua Portuguesa · CCON UFSM

Língua PortuguesaAdvérbio e locução adverbialCCON UFSM 2017

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Questão de Língua Portuguesa

1 abemos que falar de si não é uma atividade ao ego e exposição da vida privada. As críticas do Smuito bem vista em nossa cultura. Nietzsche culto exacerbado ao ego são extremamente negatijá dizia que “falar de si mesmo é esconder o 50 vas: as pessoas aparentam o que não são, ostentam que realmente se é”, ou seja, um jeito de enganar os 5 outros. Voltaire também não deixava por menos: “O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si”. o que não têm e dizem o que não sabem. A exposição excessiva da vida privada é um problema ainda mais sério. Os sentimentos e as intimidades do dia a dia, seja o sorvete que alguém vai saborear, a No entanto, todos falamos de nós mesmos, grandes 55 roupa que vai vestir para esperar a pessoa amada e pequenos. 10 Entre os grandes, temos os poetas, que dizem falar de si como se estivessem falando pela voz do outro, fazendo de conta que estão assu- ou o filho recém-nascido no berço do hospital, tudo vira selfie, e transforma a vida numa vitrine. A ideia é de que essa exposição pública dilui e enfraquece os laços de amizade verdadeira que une as pessoas. mindo o “eu lírico”, mas não é bem assim. Fernando 60 Como diria Hannah Arendt, autora muito citada Pessoa já deixou isso bem claro, fingindo que era 15 dor a dor que deveras sentia. No quesito orgulho, ninguém supera nosso Camões: "Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se pelos críticos da internet, uma existência vivida inteiramente em público, na presença de outros, torna-se superficial. Hannah Arendt faleceu em 1975, antes da alevanta". Os grandes falam de si, e falam com 65 internet e muito antes da selfie. Enquanto viveu, muito orgulho. Também entre os grandes, temos 20 os pintores, com seus autorretratos. Rafael, Rembrandt, van Gogh, El Grego, Frida Kalo, Picasso, Portinari, Tarsila, entre inúmeros outros, não não sabia o que sabemos hoje, com o emprego da ressonância magnética que os cientistas usam para perscrutar as profundezas do cérebro e mostrar o que acontece lá dentro, muito além da superfície do deixavam passar uma oportunidade de se pintar. 70 couro cabeludo. Estudos conduzidos pelos cientis- Alguns se pintaram várias vezes. Michelangelo, em 25 suas Madonas, projetava na figura do Menino Jesus, sentado no colo de Maria, autorretratos psicológicos de sua infância em Caprese, órfão de mãe e espan- tas da Universidade de Harvard, Diana I. Tamir e Jason P. Mitchell, mostraram que, quando as pessoas falam de si, elas ativam as partes do cérebro que produzem a dopamina, o hormônio do prazer. O cado pelo pai. 75 efeito é uma conectividade mais intensa dos neurô- O advento da web 2.0 expandiu o falar de si. 30 O que era privilégio dos grandes, poetas e pintores, foi estendido aos pequenos e passou a ser de domínio público. Todos adquiriram voz, no sentido figurado e literal da palavra. É aí que entra a selfie, 80 dando a todos o direito de falar de si. O poeta, que 35 se enreda no eu lírico, e o pintor, que se espelha no autorretrato, trabalham com modalidades diferentes: um usa a palavra; o outro, a imagem. Já o nios. Resultado: falar de si não só é tão profundo quanto nosso cérebro, como ainda o torna mais elástico, facilitando a memória, a motivação e a aprendizagem. Sobre a selfie, especificamente, temos as investigações da Futurizon, uma empresa que faz pesquisas sob encomenda e que prevê para as selfies uma série de possibilidades para os próximos . Disponível em: <https://parabolaeditorial.com.br/blog/entry/lingua-portuguesa-tecnologia-e-ensino.html>. Acesso em: 09 junho 2017. (Adaptado) cinco anos. Em um artigo publicado em 2016, o pes- internauta, que se projeta na selfie, caminha pela 85 quisador Ian Pearson antecipa dez possíveis usos selfie multimodalidade, ao vivo e a cores. Usa, no mínimo, 40 a imagem, mas pode usar também a palavra, o áudio e o vídeo, incluindo a voz e o gesto. Cada um produz sentido com o que tem: o poeta com a das selfies, combinando recursos da inteligência artificial com análise de imagens e bancos de dados disponíveis em tempo real. As fotos de si mesmos tiradas pelos usuários podem trazer melhorias para palavra, o pintor com a imagem, o internauta com 90 as áreas do lazer, segurança, saúde, trabalho, com- tudo. 45 As críticas ao falar de si são bem conhecidas e podem ser resumidas em dois grandes problemas, vistos como os malefícios maiores da internet: culto pras etc., não só facilitando a verificação da identidade, mas também trazendo soluções para muitos dos problemas encontrados nas atividades do dia a dia. Fonte: LEFFA, Vilson. Do eu lírico à

No texto, muitos advérbios contribuem para a argumentação expressando a noção semântica de intensidade: uma qualidade, uma avaliação pessoal ou uma noção de tempo são realçadas por uma gradação. Essa afirmativa está adequada para a identificação e o funcionamento dos elementos sublinhados nas alternativas, EXCETO em

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