Língua PortuguesaPeríodo composto por coordenaçãoNUCEPE UESPI 2012
SESAPI
Questão de Língua Portuguesa
Texto 1 O prazer da leitura “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois, aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes. Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo. No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de responder questionários de interpretação. Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir? Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema – aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois elementos: as palavras, com o seu significado. E a música... Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler. E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível esquecer. Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler, a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já são sensíveis à sua beleza. (Rubem Alves. Texto disponível em: http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em 05/11/2011. Adaptado.)
“Foram forçados a aprender tantas coisas sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na beleza musical do texto literário.” Analisando esse trecho do texto, percebemos uma relação semânticotextual de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

