Questões de Língua Portuguesa · Cesgranrio

Língua PortuguesaPreconceito linguísticoCesgranrio 2009

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Questão de Língua Portuguesa

Texto VI Nossa Língua Portuguesa Quando alguém fala com orgulho da garra da agremiação por que torce, está-se utilizando, embora já com uma derivação de significado, de um termo de origem basca. Dos celtas herdamos as palavras carro, cabana e cerveja. A brasa, que dominava a música jovem dos anos sessenta, é de origem germânica, assim como guerra e ganhar, o que prova que aqueles bárbaros eram mesmo avançados. E é bem fácil reconhecer a maioria das palavras árabes existentes no nosso idioma por causa da presença, no início delas, do artigo invariável al. Assim, alfazema, alfaiate, alfange, azeite e açougue, onde o l do artigo foi assimilado pelas consoantes z e c. A descoberta dessas influências faz parte do estudo da nossa língua, hoje falada por mais de 180 milhões de pessoas. Levada pelos conquistadores lusitanos, no alvorecer da era moderna da história ocidental, ela saiu da pequenina casa portuguesa e cruzou os “mares nunca dantes navegados”, aportando em terras longínquas de Ásia, África e América, onde veio a adquirir novos matizes em contato com os idiomas locais que iria sobrepujar. Atualmente seu domínio abrange mais de 10.600.000 km2, ou seja, o equivalente à sétima parte da Terra. E dizer-se que tudo começou em eras remotíssimas, numa parte da Itália, o Lácio, região habitada por um povo de pastores, rude e prático, que falava o Latim. Este, de simples dialeto que era então, iria passar a língua principal da Península Itálica, à medida que os romanos se expandiam e aprimoravam sua cultura em contato com a grega. Dotados de um agudíssimo tino político, legislativo e administrativo, os latinos vão conquistar e governar, durante largo tempo, um dos mais vastos impérios de que a História tem notícia, no qual semearam, com mãos hábeis, seus costumes e seu idioma. O nosso, oriundo do Latim, começou a nascer quando, no século III a.C., levadas pelas fúrias das Guerras Púnicas, as águias romanas chegaram à Hispânia, e, dentro desta, à Lusitânia, região correspondente à zona ocidental da Península Ibérica e que abrangia a quase totalidade do Portugal de hoje. A realidade étnica e linguística da Hispânia era das mais complexas antes da chegada dos romanos. Bascos, iberos, tartéssios, lígures e celtas, como povos que nela se fixaram em épocas e regiões distintas e que ali terminaram por conviver, além de gregos e fenícios que, como povos itinerantes, lá estabeleceram suas colônias, eis a mistura de raças, costumes e idiomas a que vão se sobrepor a cultura e a língua latina. Esta era levada às regiões conquistadas não na sua forma literária, escrita, mas pela boca do povo, na sua forma popular. À diferença do das pessoas, no registro dos idiomas não há data precisa de nascimento, pois não há linguista que possa fixar o momento do parto de uma língua. Esta evolui paulatinamente com relação a um idioma do qual se origina e do qual se diversifica em sua fase originária, sem, no entanto, quebrar aquela linha evolutiva que o mantém basicamente o mesmo, apenas com fisionomia diversa, em cada etapa de sua vida. Daí o dever dizer-se, a bem da verdade linguística, que a língua portuguesa é a fase atual daquele Latim lusitânico que antes de ser Português foi o Romanço lusitânico, nome que se dá ao idioma falado naquela faixa de tempo em que o Latim começou a diversificar-se inexoravelmente. GUANABARA, Célia Therezinha O. Nossa Língua Portuguesa. In: Enciclopédia Bloch, ano 1, no 1, maio de 1967. (Adaptado)

Da afirmação “À diferença do das pessoas, no registro dos idiomas não há data precisa de nascimento, pois não há linguista que possa fixar o momento do parto de uma língua.” (A. 55-58), depreende-se que a Língua Portuguesa

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