Questões de Língua Portuguesa · ESAP - PGE AM

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Questão de Língua Portuguesa

O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo – Por Eliane Brum Fonte: https://racismoambiental.net.br/2018/09/03/o-brasil-queimou-e-nao-tinha-agua-para-apagar-o-fogo-por-eliane-brum/ Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado. Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram a destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões-pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas. Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é. O Museu Nacional queimando. [...] Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum. “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.” A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu? O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. O Brasil está em chamas. [..] O Brasil está queimando. E o meteorito estava dentro do museu.

Leia o texto para responder ao que se pede. Analise as assertivas a seguir: I. Sobre o trecho “Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã”, é correto afirmar que há um encontro de uma preposição + um artigo [ao]; correto também seria afirmar que na oração “Eu vim à Grécia”, ocorre o encontro de uma preposição + um artigo [à], o que justifica o acento grave (crase); caso fosse a oração “Eu vim à Manaus”, o uso do acento grave também estaria correto. II. Quanto ao acento grave (crase) do trecho “Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam”, considera-se que o verbo sobreviver é transitivo indireto, logo, ocorre encontro de uma preposição + um artigo [à]; tal fato não se dá no trecho: “A PM impedia as pessoas de avançar para tentar salvar alguma coisa”, com o [as], já que o verbo impedir é transitivo direto e não precisa da preposição, logo sem o acento grave (crase). III. Os pronomes demonstrativos, além de marcar posição no espaço, marcam posição no tempo, como no trecho: “O que poderia expressar melhor este momento?”, em que o [este] marca um tempo imediato ao ato da fala; situação diferente do trecho: “O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos”, em que o [isso] faz referência ao que já foi dito no interior do discurso. IV. O texto em análise é composto principalmente por períodos simples, embora (de forma muito pontual) haja períodos compostos por subordinação e por coordenação, como é o caso do trecho: “Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas”. Temos oração coordenada aditiva iniciada em “e a carteira...”, na sequência, uma oração coordenada alternativa, iniciada em “ou só estava imóvel”. V. A estrutura do texto busca aproximar o leitor do momento do incêndio, de modo que ele tenha a sensação mais vívida do acontecimento, por isso a repetição de: “O Museu Nacional queimando”. Na primeira parte do texto, a autora traz aspectos do incêndio em si; já na segunda metade, faz uma reflexão sobre as consequências do problema. Incêndio, museu, perda, história e futuro são palavras-chave do texto. Considerando as assertivas acima, marque a alternativa CORRETA em relação à análise delas:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.