Questões de Língua Portuguesa · FADESP

Língua PortuguesaOrdem dos termos na oraçãoFADESP 2013

UFOPA

Questão de Língua Portuguesa

Contardo Calligaris 1 O título do novo livro de Andrew Solomon, "Longe da Árvore - Pais, Filhos e a Busca da 2 Identidade", se refere ao ditado segundo o qual os frutos nunca caem longe da árvore que os 3 produziu – ou seja, "tais pais, tais filhos". Só que, às vezes, nossos filhos nos parecem diferentes 4 de nós: frutos caídos longe da árvore. De qualquer forma, a árvore quase sempre acha que seus 5 frutos caíram mais longe do que ela gostaria. E, na nossa cultura, amar os filhos que são diferentes 6 de nós não é nada óbvio. 7 A obra de Solomon é um extraordinário elogio da diversidade e da possibilidade de amar e 8 respeitar a diferença, mesmo e sobretudo nos nossos filhos. [...] A leitura de "Longe da Árvore" 9 ajudará qualquer pai a não transformar suas expectativas em condições de seu amor. Retomo uma 10 distinção que Solomon usa. Chamemos de identidades verticais as que são impostas ou 11 transmitidas de geração em geração: elas são consequência da família, da tribo, da nação na qual 12 nascemos e também das expectativas dos pais (quando elas moldarem os filhos). Chamemos de 13 identidades horizontais as que inventamos ou às quais aderimos junto com nossos pares e 14 coetâneos: elas são tentativas de definir quem somos por nossa conta, sem nada dever à árvore 15 da qual caímos. 16 O paradoxo é o seguinte: a ideia crucial da modernidade é que as identidades verticais não 17 constituem mais nosso destino (por exemplo, o fato de nascer nobre ou camponês não decide o 18 lugar que o indivíduo ocupará na sociedade). 19 Os filhos, portanto, conhecem uma liberdade sem precedentes (viajam, mudam de país, de 20 status, de profissão etc.), atrás do sonho moderno de "se realizarem" – e não do sonho antigo de 21 repetirem seus antepassados. Mas acontece que esse sonho de "se realizarem" é também o dos 22 pais, os quais, como qualquer um, só "aconteceram" pela metade (quando muito). 23 Consequência e conflito: os filhos deveriam correr livres atrás de seus próprios sonhos, 24 enquanto os pais esperam e pedem que os filhos vivam para contrabalançar as frustrações da vida 25 de seus genitores. 26 Será que um dia seremos capazes de um amor não narcisista pelos nossos filhos? Será 27 que seremos capazes de querer produzir vidas por uma razão diferente da de reproduzir a nós 28 mesmos? 29 Se isso acontecer um dia, será possível dizer que "Longe da Árvore" foi o primeiro 30 indicador de uma mudança que transformou nossa cultura para sempre. [...] 31 Das centenas de entrevistas nas quais se baseia, Solomon sai com um certo otimismo 32 sobre a possibilidade de os pais aprenderem a amar filhos diferentes deles. 33 Entendo seu otimismo assim: as diferenças extremas (como as que ele contempla) 34 derrotam o narcisismo dos pais de antemão (esses filhos nunca serão uma continuação trivial de 35 vocês) e portanto levam à possibilidade de amar os filhos como entes separados de nós. 36 No dia a dia corriqueiro da relação pai-filho, o narcisismo dos pais e dos adultos produz 37 uma falsa e incurável infantolatria: parecemos adorar as crianças, mas mal as enxergamos – 38 apenas amamos nelas a esperança de que elas realizem nossos entediantes sonhos frustrados. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2013/10/1360907-longe-da-arvore.shtml Acesso em: 15 out. 2013

A inversão da ordem das palavras provocaria mudança de sentido em

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.