Língua PortuguesaInterpretação de textosInstituto Exittus 2023
Pref PR do Colégio
Questão de Língua Portuguesa
Leia atentamente o texto abaixo: Lavrei e semeei a terra. Fui também tão forte como ela. Em nosso ventre, revolvido e violado, a semente colocada foi sempre fecundada. Meu suor foi como a chuva que escorreu sobre ela, dia após dia. Meus pés descalços deixaram-lhe marcas para que ela, ao sentir seu peso e meu gemido, devolvesse a semente em árvore e fruto a meus filhos. Há anos que nós nos conhecemos – eu e a terra! Página 4 Sobre ela fui escrava sonhando com a liberdade. Ajoelhei-me sobre o áspero solo para o ritual da semeadura. Escutei-lhe os cânticos que saíam de suas profundezas para agradecer-me os cuidados. O rio forte que por entre nós passava, louvava-nos a esperança. Meus olhos cheios d’água, um dia, cobertos de sombras viram-na engolir o corpo de meu filho. Molhei-a com minha angústia durante longos dias. Invejei-a, então, pois depositei-lhe no ventre o filho que estivera antes no meu. Amaldiçoei-lhe o roubo traiçoeiro. Mas ela, calma e paciente, apenas ouviu-me. Pouco tempo depois, dela brotou a plantação, verdejante e farta! Foi a sua resposta para minha mágoa. Esqueci a dor e recolhi os frutos, entusiasmada, para que outros filhos meus se tornassem fortes. Amei-a novamente. Corri cheia de alegria para festejar-lhe a florescência. Rolei com meu homem sobre ela para que fôssemos gênese e natureza. Passamos assim a sonhar juntas – eu e a terra – fêmeas e mães! Fomos todos ali amantes e boêmios da temporada! Acariciando as aves, as flores e toda a vegetação que nos cercavam. Até que um dia as mãos-feras invadiram nossa morada e nos tomaram tudo – o homem, a terra e a colheita! Hoje, pisamos então sobre o cimento quente da cidade – como seres banidos. Arrastando nossa dor – sempre eu e meus filhos – uns estranhos sem lugar algum! Apenas carregamos conosco a saudade e a fome. Meu corpo está árido – sem leite e sem alegria. Vamos assim, caminhando ao encontro da morte que nos aguarda na próxima calçada! (RIBEIRO, s/d, p. 21) Sobre o poema acima, analise as assertivas e identifique com C as assertivas corretas e E as assertivas erradas. (___) O trecho “Fui também tão forte como ela” apresenta a figura de linguagem denominada de metáfora. (___) O trecho “Meus olhos cheios d’água, um dia, cobertos de sombras viram-na engolir o corpo de meu filho” apresenta a figura de linguagem denominada de eufemismo. (___) No trecho “Molhei-a com minha angústia durante longos dias” encontramos a figura de linguagem denominada de metonímia. (___) No trecho “Mas ela, calma e paciente, apenas ouviu-me” podemos encontrar a figura de linguagem denominada de personificação. (___) O trecho “Meu corpo está árido – sem leite e sem alegria” encontramos a figura de linguagem denominada de metáfora. A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
