Língua PortuguesaComparação entre textos e intertextualidadeCPCON 2018
UEPB
Questão de Língua Portuguesa
Texto I Ainda guri, quando morador da minha querida Propriá (SE), brincava com alguns amigos na calçada de casa. De repente, um deles nos propôs que disputássemos o título de melhor atirador de estilingue da rua. Os alvos seriam as lâmpadas de um poste público. O campeão seria aquele que estourasse o maior número de lâmpadas, dentre as cinco ainda intactas naquela parte da rua. Não tendo aceitação geral, pois a maioria discordara da depredação proposta e que deixaria a rua às escuras, o planejador da competição deu o seu último arremate: - Vocês são mesmo uns imbecis, as lâmpadas não têm dono, amanhã a prefeitura vai botar outras no lugar e ninguém ficará no prejuízo. Já maior de idade, agora na condição de visitante da mesma amada Propriá, comentávamos sobre a política local. Um dos moradores argumentava que o filho da maior autoridade municipal estava lhe devendo uma boa quantia em dinheiro, emprestada durante a campanha eleitoral. Não obstante o débito, não estava preocupado, pois sabia que ele era honesto e honraria o compromisso assumido. Depois, indagado sobre as denúncias de corrupção na prefeitura, praticada pelo seu sincero devedor, assim opinou: - Na prefeitura ele realmente rouba. Mas o que estou dizendo é que ele é honesto nas coisas particulares e sempre honrou seus compromissos, mesmo porque uma “coisa” não tem nada a ver com a “outra coisa”. Depois, trabalhando como advogado, agora não mais na minha cidade de Propriá, fui procurando por um pretenso cliente. Estava ele revoltado porque a prefeitura mandara derrubar o muro da casa em que residia, construído há mais de três anos. Disse-me ele que a parte que deveria derrubar fora um puxadinho que dera em um terreno baldio, somente agora descoberto que pertencia ao município. E resumiu ele o seu protesto: - Esta coisa somente ocorre no Brasil, os políticos pegam um terreno que não era de ninguém, fazem uma pracinha eleitoreira lá, e eu sou quem sai perdendo. Isso não pode ficar assim, vou brigar até o fim, eles vão ter que parar a obra ou pagar meus prejuízos. Esta semana, morando na capital do Brasil, apontávamos que orelhões e escolas públicas são dilapidas diariamente, tornando mudos e deseducados seus próprios destinatários. Praças são transformadas em canteiros de destruição, verdadeiras fontes de diversão para vândalos. Terras públicas são griladas, mangues invadidos, florestas devastadas, tudo em nome do crescimento sustentável dos velhos privilegiados da nação. Recursos da nação são destinados a irrigar fazendas particulares, fazendo florir fortunas pessoais. Pontes, estradas, ruas e metrôs são direcionados para melhor fazer fluírem “caixas não contabilizados de campanhas', não raro em campanhas restritas ao aumento do patrimônio do próprio candidato. E assim são encontrados vários outros casos semelhantes. Todos eles, é claro, defendidos com a mais absoluta boa-fé, pois, segundo os corretos brasileiros em questão, “nunca desrespeitaram a coisa particular”. O mês de novembro, exatamente por agasalhar as homenagens oficiais à República Federativa do Brasil, merece uma melhor reflexão dos brasileiros. Se República quer dizer “coisa (res) pública”, o público precisa tomar consciência da sua condição de dono e proprietário exclusivo desta fundamental “coisa”, não aceitando as desculpas esfarrapadas dos amantes da “coisa alheia”. Não pode deixar que seja transformada em “coisa particular” o que lhe pertence. Não pode assistir, pacificamente, a que seja diariamente destruída, apropriada, aprisionada e corrompida por interesses pessoais. Afinal, o Brasil somente poderá ser chamado de República quando a “coisa pública” for, na prática, destinada, controlada e utilizada pelo público. Colunista César Brito. 10/11/2013. (Disponível em: >http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/a-coisa-publica/<. Data da consulta: 14/03/2017). Texto II
(Disponível em: >https://www.google.com.br/search?q=charge+sobre+coisa+publica&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=vhm3GTejbeRSRM%253A%252CGA0nuwcRjT20mM%252 C_&usg=__MlicR5qRHsC/<. Data da consulta: 14/03/2017). PÁGINA 03 UE P B 2 0 1 8 - A GE NT E DE P ORT A RI A
Nível Fundamental 01 03 sua carteira. Esta Prova tem duração de 4 (quatro) horas. Não é permitida a saída do candidato antes de esgotado o tempo mínimo de2 04 (duas) horas. É vetado, durante a prova, o intercâmbio ou empréstimo de material de qualquer natureza entre os candidatos, bem como o uso 05 de celulares, calculadoras e/ou qualquer outro tipo de equipamento eletrônico. A fraude, ou tentativa, a indisciplina e o desrespeito às autoridades encarregadas dos trabalhos são faltas que eliminam o candidato. conferência. UE P B 2 0 1 8 - A GE NT E DE P ORT A RI A UE P B 2 0 1 8 - A GE NT E DE P ORT A RI A PORTUGUÊS Leia com cuidado cada um dos textos abaixo para responder as questões de 01 a 08.
Julgue cada uma das afirmações abaixo acerca dos textos I e II e responda o que se pede. I- Os textos I e II não apresentam nenhuma relação temática porque tratam de assuntos completamente distintos. II- De uma forma ou de outra há íntima relação entre os textos I e II já que ambos tratam da apropriação e destruição do que é público por parte dos particulares. III- O autor do texto I se limita apenas a tecer críticas contundentes acerca do grave problema da destruição da coisa pública por parte dos privados, mas não propõe nenhuma medida solucionadora do problema. Está CORRETO o que se afirma em
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

