Língua PortuguesaRadicais e afixos gregos e latinosFGV 2006
POTIGÁS
Questão de Língua Portuguesa
Texto I O céu na gaveta Perdemos Plutão? A União Astronômica Internacional (UAI) expulsou-o da família de planetas, mas ele continua lá fora, gélido e silencioso como antes. Ciência é investigação, segundo um método, criatividade e arte. Quando expurgou Plutão, a UAI não fez ciência: produziu uma definição, entre outras possíveis, com a finalidade de classificar e nomear. Nomear é um ato de poder. É um gesto de apropriação intelectual, com repercussões simbólicas. A UAI não descobriu nenhuma característica nova dos planetas nem ofereceu alguma teoria inovadora acerca do Sistema Solar. Ela optou por uma ordem simbólica, excluindo outras. Inicialmente, a hipótese aventada foi permitir a multiplicação de planetas. A conseqüência disso seria destruir a figuração popular de um sistema compacto, que aprendemos a reconhecer na infância e que nos conecta à vastidão do cosmo. Ao rejeitar essa destruição, a UAI estava dizendo que o céu deve caber na gaveta. A solução encontrada é mais do que isso. O "novo" Sistema Solar apresenta-se como figuração de uma ordem perfeita. São quatro planetas interiores, pequenos e rochosos, separados de quatro planetas exteriores, grandes e gasosos, pela vasta faixa de fronteira de um cinturão de asteróides. A UAI pretendeu sublinhar a gênese comum do Sistema. Mas, na sua lancinante simetria, o modelo adotado tem propriedades estéticas que sugerem um arranjo divino. Não encontrou acolhida a hipótese de conservar tudo como estava, pelo recurso de batizar de "planetas clássicos" os nove planetas tradicionais e fechar as portas da família aos intrusos. Essa solução não pareceu "científica" o suficiente, pois desafiava a lógica cartesiana: como justificar a condição planetária de Plutão, negando-a a astros "similares" recentemente descobertos? A figuração do Sistema Solar tem, essencialmente, funções de divulgação e educação. A força sugestiva dos nomes mitológicos dos planetas alia-se a imagens poderosas, como os anéis saturnianos, para capturar a imaginação das crianças e conduzi-las ao labirinto de curiosidades no qual podem deparar com o discurso das ciências. O Sistema Solar deposto cumpria melhor essas funções. Não perdemos Plutão. Perdemos um sistema que, além de compacto, apresentava-se como ordem imperfeita e sugeria um ponto de fuga para a complexidade. Esse ponto era Plutão. O nono planeta, longínquo e minúsculo, com seu núcleo parecido com o de um cometa e sua órbita divergente, indagava a simetria do conjunto e desarmava os espíritos. Ele nos alertava para as limitações do modelo, como quem aponta uma frase inconclusa. Foi isso que perdemos. (Demétrio Magnoli. Folha de S. Paulo, 31/08/2006)
Assinale a alternativa em que o prefixo não tenha o mesmo valor semântico que o da palavra imperfeita (L.41).
Mais questões de Radicais e afixos gregos e latinos
- Legalle 2026A respeito dos recursos coesivos, das relações sintático-semânticas e das escolhas estilísticas empregadas no quinto parágrafo do texto, analise as partes que seguem: (1ª parte):…
- FGV 2026As palavras a seguir são formadas a partir de termos latinos, exceto:
- FAPEC 2026No segundo parágrafo [2], a partir da comparação entre “art. 7º” e “art. 27”, é correto afirmar que:
- FGV 2026O termo “odontólogo”, presente na crônica de Stanislaw, é um termo erudito, equivalente a “dentista”. Entre os termos a seguir, assinale aquele que mostra significação correta.
- Fundatec 2026Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que NÃO tenha sido formada com o prefixo “in-” de sentido negativo.
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

