Questões de Língua Portuguesa · Instituto ACCESS

Língua PortuguesaMau/mal, há/a, onde/aonde, senão/se não e outras grafiasInstituto ACCESS 2022

CM S de Parnaíba

Questão de Língua Portuguesa

Em 2022, comemoramos 20 anos da implementação das cotas sociais e raciais na Uerj e dez anos da lei federal 12.711/12. As cotas mudaram a cara do ensino superior e o debate acerca de nossas desigualdades. Com o objetivo de produzir um balanço de seus impactos e subsidiar cientificamente a revisão da lei federal, criamos o Consórcio de Acompanhamento das Ações Afirmativas (CAA). O CAA analisou dados de mais de 7 universidades federais e estaduais, tendo publicado mais de 30 textos na academia e na imprensa sobre o tema. A despeito de problemas pontuais, as cotas têm um saldo muito positivo. O percentual de jovens pretos, pardos e indígenas pulou de 31% em 2002 para 52% das matrículas em 2021. No mesmo período, o percentual de estudantes de baixa renda saiu de 19% para 52%. Os avanços maiores se deram nos cursos mais concorridos, e quase todas as pesquisas sobre o tema mostram que os cotistas têm desempenho muito similar aos não cotistas. Mais de 70% das pesquisas acadêmicas sobre as cotas as consideram uma política bem-sucedida. Por tudo isso, o CAA recomenda às forças políticas, eleitas em outubro, a manutenção e expansão do sistema existente, que combina critérios socioeconômicos – para estudantes de escola pública e baixa renda – com cotas raciais. No entanto, é necessária a criação de programas específicos, sensíveis às especificidades das populações indígenas, quilombolas e das pessoas com deficiência. Tendo em vista que pretos e pardos em processo de ascensão social também são vítimas de racismo, apoiamos a criação de subcotas complementares para eles, independentemente da origem escolar. Outra recomendação é a revisão da faixa de renda, presente na lei federal. O patamar de 1,5 salário mínimo familiar per capita não favorece os mais pobres. Isso vale para a implementação de um sistema de concorrência simultânea, que permita a potenciais cotistas disputarem, ao mesmo tempo, as vagas no sistema de ampla concorrência, fazendo com que as cotas funcionem como piso, não como teto de inclusão. No que concerne à permanência estudantil, é urgente avançarmos numa política federal, unificada e desburocratizada. A adequada avaliação da política depende da constituição de um sistema integrado de dados educacionais e do mercado de trabalho que seja aberto, transparente e desidentificado – e que possibilite compreender desde as mudanças na demanda por ensino superior à inserção dos cotistas na vida profissional. Seria importante incentivar com fomento público pesquisas sobre as comissões de heteroclassificação racial para identificar seu impacto no aprimoramento da inclusão étnico-racial compatível com a complexidade das classificações raciais no Brasil. Por fim, consideramos importante que as ações afirmativas não fiquem restritas às cotas na graduação. Urge uma lei específica para a pós-graduação, sensível às especificidades desse nível de formação, da mesma forma que instituir políticas de inclusão no mercado de trabalho. (Luiz Augusto Campos e Márcia Lima. Coordenadores do Consórcio das Ações Afirmativas, que congrega especialistas da UFBA, UnB, UFRJ, UFMG, UFSC, Uerj e Unicamp. Folha de S.Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/11/recomendacoes-para-a-politica-de-cotas.shtml)

Na linha 19, grafou-se corretamente a palavra “bem-sucedida”. A grafia de palavras com os elementos BEM e MAL sempre constitui dificuldade. Nesse contexto, assinale a opção em que a palavra indicada não tenha sido grafada corretamente.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.