Língua PortuguesaHipérbole, eufemismo e gradaçãoCEPS UFPA 2009
UFPA
Questão de Língua Portuguesa
Mania de aprender e fazer bem feito Eficiência, determinação, aplicação, seriedade, vontade de aprender e mania de fazer bem feito – estes parecem ser os seis segredos dos japoneses, que explicam como eles passaram tão rapidamente, em quatro décadas, da trágica situação de um país destroçado por uma guerra longa e cara, e abalado física e moralmente por duas bombas atômicas, para o atual estágio de uma das nações mais avançadas do mundo. Dizem que o japonês trabalha demais – e talvez seja verdade. Mas, na prática, há países em que as pessoas trabalham muito mais e produzem muito menos. Aí entra então a eficiência: ter capacidade para render mais com esforço menor. Um povo sadio e bem alimentado rende mais. Os japoneses são muito inteligentes, sim – e isso vem preocupando os Estados Unidos em anos recentes, à procura da razão por que eles se desenvolveram tanto em tão pouco tempo. Mas a inteligência deles não é dispersiva, não se envolve em coisas supérfluas – aquilo que a gente chama de pérolas da cultura geral inútil. É uma inteligência disciplinada, objetiva e produtiva. Visa à criatividade. Os japoneses são, seguramente, o povo mais criativo do mundo, capaz de inventar máquinas maravilhosas, fantásticas. Não há analfabetos no Japão e a educação é compulsória para todas as crianças em idade escolar. O sistema de ensino japonês é conhecido como 6-3-3-4: seis anos de Ensino Fundamental; três anos de Ensino Médio (para todos); depois, três anos que equivalem ao nosso científico, ou preparação para o vestibular; e não mais de quatro anos na universidade, para todos os cursos. Desde cedo, o sistema de ensino no Japão desperta nas crianças a vontade de aprender, de pesquisar, de fazer experiências, de dar asas à sua imaginação. Assim, enquanto nas escolas do Ocidente as crianças de 4 ou 5 anos podem estar brincando com quebra-cabeças ou colorindo seus bichinhos, nas escolas do Japão elas já estão batendo nas teclas do computador. As crianças aprendem a conviver com a tecnologia avançada desde os primeiros anos. Nas excursões, as crianças perguntam e anotam. Elas pensam. Agem como adultos. Desenvolvem o seu raciocínio. Melhoram sua capacidade de julgamento. Talvez não tenham tempo de ser simplesmente crianças. O Japão é também um país que lê muito e lê sobre tudo. No metrô, nas escolas, de trem, nos aeroportos, as pessoas estão lendo sempre, atentas, sérias, prestando atenção, anotando, tirando conclusões. Por isso, o Japão é um dos mais fortes mercados editoriais do mundo: 4,7 bilhões de livros e jornais são impressos no país, por ano. FRAGA, Hélio. Andanças. Belo Horizonte: Ed. Lê. 1987. (Texto adaptado)
O trecho em que se recorre à hipérbole, com o propósito de exaltar a inteligência japonesa é
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



