Questões de Língua Portuguesa · Quadrix

Língua PortuguesaPonto de vista e posicionamento do autorQuadrix 2022

CRESS (AP)

Questão de Língua Portuguesa

prova objetiva. Texto para os itens de 1 a 20. 1 Tendo irrompido na capital de certo país uma epidemia de moléstia terrível que matava milhares de pessoas por dia, a junta do governo se viu obrigada a fazer 4 o serviço compulsório de coveiros e requisitar palácios para hospitais. Um médico modesto, mas sábio, passado o flagelo, saiu de sua modéstia e escreveu, num jornal ou 7 numa revista de pouca importância, um artigo simples, claro, sem arrebiques de péssima literatura pernóstica, sem fumaças de ciência e de clínica, lembrando a conveniência 10 de se criarem mais hospitais públicos e situá-los em diversas zonas da cidade, para sempre poderem eles atender à população eficazmente, nas épocas normais e anormais. 13 Pouca gente leu o artigo do honesto facultativo, mas todos os seus colegas o fizeram, sem que, entretanto, nada dissessem logo. 16 Passa-se um mês, quando já todos estavam esquecidos das palavras do bom esculápio sem trombetas, bulha e matinada, apareceu, no principal jornal da cidade, 19 um artigo desmedido, escrito com o bolor de vocábulos antigos, recheado de citações e exemplos de outras terras e termos híbridos do grego e do hebraico, repetindo as 22 sugestões do velho prático que lembrara a criação de hospitais semeados pela capital do país. Apesar de o assunto ser o mesmo, sem discrepância 25 alguma, quem aventou a ideia pela primeira vez, cujo nome era Mendonça, não foi citado. Na câmara, um outro facultativo, que era deputado 28 muito famoso pela sua clínica nas altas rodas da cidade, apresentou um projeto calcado nas ideias do doutor Mendonça, mas não o citou, fazendo isso várias vezes com 31 o doutor plagiário daquele, que se chamava Cavalcante. Os jornais, pelos seus cronistas, gabaram muito o projeto e, em suas crônicas e tópicos, não se amedrontavam 34 em repetir os nomes do doutor Cavalcante e do deputado doutor Azevedo. Toda a gente ficou crente de que a ideia era do doutor Cavalcante, e essa convicção ainda se tornou mais 37 forte quando apareceu uma crônica do doutor Juventa, num popular jornal noturno, atribuindo toda a glória da iniciativa 40 aos seus dois colegas, Cavalcante e Azevedo. Esse doutor Juventa era tido em grande conta, não por ser verdadeiramente grande em qualquer coisa, apesar 43 de ser médico, advogado, poeta, literato, político, estrategista etc.; era tido em grande conta por ser um homem feliz — menos com os seus doentes, diziam os 46 maldosos. Nada sabemos disso; e o certo, porém, é que o artigo enterrou para sempre o nome do simplório doutor 49 Mendonça. Assim são as coisas naquele país… Lima Barreto. O pai da ideia. In: Toda crônica. Rio de Janeiro: Agir, 2004, p. 121 (com adaptações).

Considerando as ideias do texto e a sua tipologia, julgue os itens de 1 a 8. Entende-se do texto uma crítica do autor à erudição do texto do artigo publicado no principal jornal da cidade.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.