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Questões de Língua Portuguesa · INCAB (ex-FUNCAB)

Língua PortuguesaPronomes de tratamento e fechosINCAB (ex-FUNCAB) 2014

Pref Rio Branco (AC)

Questão de Língua Portuguesa

PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO para o cargo de T Psicólogo CÓDIGO S02 TARDE “O homem deixou de respeitar a si mesmo quando perdeu o respeito por seu semelhante.” ATENÇÃO DURAÇÃO DA PROVA: 3 horas e 30 minutos. ESTE CADERNO CONTÉM 60 (SESSENTA) QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA, CADA UMA COM 5 ALTERNATIVAS DE RESPOSTA – A, B, C, D e E – CONFORME DISPOSIÇÃO ABAIXO. Quantidade de Valor de cada Disciplinas questões questão Língua Portuguesa 15 Raciocínio Lógico 10 Informática Básica 10 Atualidades 10 Conhecimentos Específicos 15 2 1 1 1 2 RESERVE OS 30 (TRINTA) MINUTOS FINAIS www.funcab.org Leia o texto abaixo e responda às questões propostas: Camelos e beija-flores A revisora informou delicadamente que era norma do jornal que todas as ‘estórias’ deveriam ser grafadas como ‘histórias’. É assim que os gramáticos decidiram e escreveram nos dicionários. Respondi também delicadamente: “Comigo não. Quando escrevo ‘estória’ eu quero dizer ‘estória’. Quando escrevo ‘história’ eu quero dizer ‘história’. Estória e história são tão diferentes quanto camelos e beija-flores...” Escrevi um livro baseado na diferença entre ‘história’ e ‘estória’. O revisor, obediente ao dicionário, corrigiu minhas ‘estórias’ para ‘história’. Confiando no rigor do revisor, não li o texto corrigido. Aí, um livro que era para falar de camelos e beija-flores só falou de camelos. Foram-se os beija-flores, engolidos pelo camelo... Escoro-me no Guimarães Rosa. Ele começa o Tutameia com esta afirmação: “A estória não quer ser história. A estória, em rigor, deve ser contra a história”. Qual é a diferença? É simples. Quando minha filha era pequena eu lhe inventava estórias. Ela, ao final, me perguntava: “Papai, isso aconteceu de verdade?” E eu ficava sem lhe poder responder porque a resposta seria de difícil compreensão para ela. A resposta que lhe daria seria: “Essa estória não aconteceu nunca para que aconteça sempre...” A história é o reino das coisas que aconteceram de verdade, no tempo, e que estão definitivamente enterradas no passado. Mortas para sempre. Ler a história é caminhar por um cemitério. Ali os mortos nos contam suas lições. É importante ouvir os relatos dos mortos para aprender dos seus equívocos e não repeti-los no futuro. Mas as estórias não aconteceram nunca. São invenções, mentiras. O mito de Narciso é uma invenção. O jovem que se apaixonou por sua própria imagem nunca existiu. Aí, ao ler o mito que nunca existiu eu me vejo hoje debruçado sobre a fonte que me reflete nos olhos dos outros. Toda estória é um espelho. [...] [...] A história nos leva para o tempo do ‘nunca mais’, tempo da morte. As estórias nos levam para o tempo da ressurreição. Se elas sempre começam com o ‘era uma vez, há muito tempo’ é só para nos arrancar da banalidade do presente e nos levar para o tempo mágico da alma. Assim, por favor, revisora: quando eu escrever ‘estória’ não corrija para ‘história’. Não quero confundir camelos e beija-flores... (ALVES, Rubem. Camelos e beija-flores. Folha de S. Paulo, Cotidiano. p. 2.14/11/2006.)

O narrador do texto resolveu escrever para o reitor de uma grande universidade a fim de reclamar das mudanças feitas em sua produção literária. Do ponto de vista da gramática normativa, qual pronome de tratamento deve ser usado em sua carta?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.