Língua PortuguesaEscolas literárias brasileirasCOMPEC UFAM 2026
UFAM
Questão de Língua Portuguesa
Leia o fragmento a seguir, da obra Torto Arado (2019), antes de responder à questão 12, que a ele se refere: Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que “trabalhe muito” e “que não tenha medo de trabalho”, nas palavras de meu pai, “para dar seu suor na plantação”. Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão. JUNIOR, Itamar Vieira. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019, p.41.
Considere os excertos retirados do livro Torto Arado: I. “Quando estava sozinha e sabia que não a observariam com estranheza pelo seu ato, deitava no chão, como viu seu pai fazer inúmeras vezes. Tentava escutar os sons mais íntimos, dos lugares mais recônditos do interior da terra, para livrar o plantio da praga, para reparar as dificuldades e ajudar na colheita.” II. “Você retornou para a escola, mas algo se rompeu definitivamente em seu interior. As crianças parecem descontroladas diante da sua apatia. Nem de longe lembra a professora que ensinava sobre a história do povo negro, que ensinava matemática, ciências e fazia as crianças se orgulharem de serem quilombolas.” III. “[...] Ela perdeu a língua [...]. Repetia tanto que, certamente, naqueles primeiros momentos, Zeca Chapéu Grande e Salustiana Nicolau acharam que as duas filhas haviam se mutilado num ritual misterioso que, nas suas crenças, precisaria de muita imaginação para explicar.” IV. “Meu cavalo morreu e não tenho mais montaria para caminhar como devo [...]. Desde então, passei a vagar sem rumo, arrodeando aqui, arrodeando acolá, procurando um corpo que pudesse me acolher.” V. “Ela estava com a roupa rasgada, chorando muito, o corpo tremia, carregava seu menino caçulo também aos prantos. Não entendia muita coisa do que dizia, ouvia apenas algumas repetições, “ele vai me matar” [...]. Fechei a porta de casa para ver se seu pavor diminuía, para abafar o som dos choros que ecoavam porta afora. Servi um copo de água, tomei o menino em meus braços, mas nada do que fazia parecia amenizar o sofrimento dos dois.” 3 A sequência CORRETA sobre os nomes das personagens as quais se referem os fragmentos acima é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

