Questões de Língua Portuguesa · MS (SARMENTO)

Língua PortuguesaModalização e marcas de subjetividadeMS (SARMENTO) 2012

CREA TO

Questão de Língua Portuguesa

Povo — Geneci... — Senhora? — Preciso falar com você. — O que foi? O almoço não estava bom? — O almoço estava ótimo. Não é isso. Precisamos conversar. — Aqui na cozinha? — Aqui mesmo. O seu patrão não pode ouvir. — Sim, senhora. — Você... — Foi o copo que eu quebrei? — Quer ficar quieta e me escutar? — Sim, senhora. — Não foi o copo. Você vai sair na escola, certo? — Vou, sim senhora. Mas se a senhora quiser que eu venha na terça... — Não é isso, Geneci! — Desculpe. — É que eu... Geneci, eu queria sair na sua escola. — Mas... — Ou fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Não aguento ficar fora do Carnaval. — Mas... — Vocês não têm, sei lá, uma ala das patroas? Qualquer coisa. — Se a senhora tivesse me falado antes... — Eu sei. Agora é tarde. Para a fantasia e tudo o mais. Mas eu improviso uma baiana. Deusa grega, que é só um lençol. — Não sei... — Saio na bateria. Empurrando alegoria. — Olhe que não é fácil... — Eu sei. Mas eu quero participar. Eu até sambo direitinho. Você nunca me viu sambar? Nos bailes do clube, por exemplo. Toca um samba e lá vou eu. Até acho que tenho um pé na cozinha. Quer dizer. Desculpe. — Tudo bem. — Eu também sou povo, Geneci! Quando vejo uma escola passar, fico toda arrepiada. — Mas a senhora pode assistir. — Mas eu quero participar, você não entende? No meio da massa. Sentir o que o povo sente. Vibrar, cantar, pular, suar. — Olhe... — Por que só vocês podem ser povo? Eu também tenho direito. — Não sei... — Se precisar pagar, eu pago. — Não é isso. É que... — Está bem. Olhe aqui. Não preciso nem sair na avenida. Posso costurar. Ajudar a organizar o pessoal. Ajudar no transporte. O Alfa Romeo está aí mesmo. Tem a Caravan, se o patrão não der falta. É a emoção de participar que me interessa, entende? Poder dizer “a minha escola...”. Eu teria assunto para o resto do ano. Minhas amigas ficariam loucas de inveja. Alguns iam torcer o nariz, claro. Mas eu não sou assim. Eu sou legal. Eu não sou legal com você, Geneci? Sempre tratei você de igual para igual. — Tratou, sim senhora. — Meu Deus, a ama-de-leite da minha mãe era preta! — Sim, senhora. — Geneci, é um favor que você me faz. Em nome da nossa velha amizade. Faço qualquer coisa pela nossa escola, Geneci. — Bom, se a senhora está mesmo disposta... — Qualquer coisa, Geneci. — É que o Rudinei e Fátima Araci não têm com quem ficar. — Quem? — Minhas crianças. — Ah. — Se a senhora pudesse ficar com eles enquanto eu desfilo... — Certo. Bom. Vou pensar. Depois a gente vê. — Eu posso trazer elas e... — Já disse que vou pensar, Geneci. Sirva o cafezinho na sala. Disponível em: <http://www.ponto.altervista.org/Livros/Carnaval/verissimo.html>. Acesso em: 11 mar. 2012.

Embora a palavra direitinho pertença a uma classe gramatical invariável, por não apresentar, fundamentalmente, flexão de gênero e número, pode sofrer, em alguns casos, flexão de grau, comparativo e superlativo, ou diminutivo, no caso do seu emprego na linguagem popular, como foi o que ocorreu no texto. Que sentido o diminutivo acrescenta a essa palavra?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.