Língua PortuguesaAcentuação de oxítonas e monossílabos tônicosUNIVALI 2025
Pref Antônio Carlos
Questão de Língua Portuguesa
A velha A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares. Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou. Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido. Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto. Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar. Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir. Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos. O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis. Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior. Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos? BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.
Assinale a alternativa cuja palavra em destaque foi acentuada pela mesma regra que a palavra "resíduos" 1 em "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar".
Mais questões de Acentuação de oxítonas e monossílabos tônicos
- INDEC 2026Somente uma palavra abaixo apresenta incorreção quanto à acentuação gráfica. Indique-a:
- UNESC 2026"A ideia de que o aumento nas vendas de livros usados está sendo impulsionado pelo crescimento explosivo da 2 IA remonta a uma decisão judicial nos Estados Unidos. Em 2025, um jui…
- IDEAP 2026Assinale a palavra cuja acentuação está INCORRETA:
- IDHTEC 2026Assinale a alternativa em que o emprego do acento gráfico está correto, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa:
- FAFIPA 2026Considere as palavras extraídas do texto: "câncer", "início" e "décadas", assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE as regras de acentuação segundo a gramática normativa.
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.