Questões de Língua Portuguesa · PGP UFV

Língua PortuguesaFinalidade do texto e intenção do autorPGP UFV 2014

UFV

Questão de Língua Portuguesa

Língua Portuguesa (Questões de 01 a 15) Conhecimentos Específicos (Questões de 16 a 40) ATENÇÃO: LEIA AS INSTRUÇÕES atentamente ANTES de iniciar a prova. São de inteira responsabilidade do candidato os eventuais prejuízos decorrentes do não-cumprimento das instruções.  VERIFIQUE se as questões deste caderno estão numeradas de 01 a 40 e distribuídas entre os conteúdos da forma apresentada acima. Caso haja algum problema, solicite a substituição do caderno. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------  CONFIRA o seu nome e número de inscrição. Caso haja algum problema, solicite a assistência do fiscal.  ASSINE A TINTA, no espaço adequado. ASSINATURA LÍNGUA PORTUGUESA – QUESTÕES DE 01 A 15 1 Não foi contra a Copa: foi pela educação por Daniel Cara Publicado em 25/02/2014, às 12h08 § 1 No sábado, 22 de fevereiro, fui convidado a participar do início de uma manifestação que partiu da Praça da República, em São Paulo. Se não fosse a violência policial, seguida por episódios de depredação, talvez a população em geral soubesse que o objetivo da caminhada era reivindicar o direito à educação, antes de expressar contrariedade com a realização da Copa do Mundo. Por solicitação de alguns coletivos que promoviam o evento, estava lá para ministrar uma espécie de Aula Pública sobre as políticas de educação no Brasil. A atividade aconteceria em um lugar simbólico, em frente ao antigo colégio Caetano de Campos, atual sede da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. § 2 Fui demandado a apresentar as polêmicas em torno do novo PNE (Plano Nacional de Educação), que tramita há mais de 3 anos e 2 meses no Congresso Nacional. Nessa atividade, iria defender a opção pelo texto da Câmara dos Deputados, que conta com a adesão da sociedade civil, contra a versão do PNE elaborada pelo Senado Federal, defendida por setores do Palácio do Planalto e do Ministério da Educação. Infelizmente, a tensão promovida pela presença maciça da Polícia Militar, que desde o começo tentava asfixiar os manifestantes por meio de duas extensas colunas, impossibilitou a Aula Pública, conforme o planejado. Ainda assim, decidi acompanhar o início do percurso. § 3 A primeira faixa da manifestação resumia a pauta consensual do ato. Reivindicava "10% do PIB já + 100% de creche + cotas reais". Pretendia problematizá-la em minha fala, mas as duas colunas de policiais já oprimiam os manifestantes. Com o risco de conflito já no início do ato, alguns coletivos decidiram partir, seguidos pelos demais. § 4 No tempo em que caminhei, foram distribuídos diversos folhetos. Basicamente reivindicavam direitos sociais e quase todos que recebi eram concluídos pelas frases "se não tiver educação, não vai ter Copa" e "mais educação, menos bola". Em linhas gerais, os motes eram problematizados pela exigência de investimento equivalente a 10% do PIB em educação pública (proposta que consta do texto da Câmara do PNE), o direito à creche, o aprofundamento da política de cotas e a valorização dos professores — único tema que faltou na primeira faixa da manifestação. Pautas da manifestação § 5 Além dela, outra dedicada à questão educacional se destacava. Pedia a estatização de grandes universidades privadas paulistas, provavelmente mobilizada pelos casos de descredenciamento da Gama Filho e da UniverCidade no Rio de Janeiro. Ainda na concentração, questionei um manifestante sobre a proposta. Sorrindo, ele respondeu demonstrando reflexão sobre o tema: "Eu até concordo com a ideia, mas não é consensual. Estatizar é medida de longo prazo, depende de uma transição, de estudo". § 6 Fiquei curioso sobre o processo de tomada de decisão relativo às pautas dos atos. Diferente do que muitos pensam ou julgam, fui informado de que todas as manifestações são precedidas de 6 a 7 assembleias. Nelas participam de 15 a 20 coletivos. Segundo relatos, as discussões são baseadas em argumentos de ordem técnica e estratégica. Conversei com calma com F. M., manifestante que disse, inclusive, ter sido "mais uma vez agredido pela polícia". Para ele, "o antes é melhor do que a manifestação em si. As assembleias são os melhores momentos, pois geram debates, aprendizados e reflexões". Fruto desse processo de discussão, os coletivos elencaram 6 pilares de indignação. Os 4 primeiros são relativos à exigência de direitos: educação, transporte, saúde e moradia. O quinto é o combate à violência policial. E apenas o sexto e último tem ligação direta com a Copa do Mundo: é o FIFA GO HOME. Não somos contra a Copa § 7 F. M. justifica: "Não somos contra a Copa, apenas queremos nossos direitos, mas a Fifa é a nossa OMC [Organização Mundial do Comércio]". Assim, compara as manifestações brasileiras com os eventos de 30 de novembro de 1999 em Seattle, quando ativistas questionaram a reunião da Organização Mundial do Comércio naquela cidade estadunidense. Perguntei para F. M. o que motivou a escolha da pauta da educação. "Nas assembleias muitos de nós dizem que têm vontade de estudar. Muitos ali são autodidatas, mas todos querem educação pública de qualidade da creche até a pós-graduação, essa é a linha", afirmou. § 8 Ao desconhecer todo o processo de elaboração das pautas e de organização dos eventos, inclusive devido aos enfoques dados por alguns releases distribuídos aos veículos de comunicação, a imprensa não se equivoca completamente ao categorizar a manifestação como um evento que questiona a realização da Copa do Mundo no Brasil. Muitas palavras de ordem 2 criticam a Fifa, as remoções de famílias, os gastos com estádios e as obras de infraestrutura inacabadas. Contudo, isso tudo é parte do ocorrido. A todo momento eram reivindicados direitos sociais e era condenada a violência policial. § 9 Nesse contexto, praticamente todos os governantes envolvidos com o torneio foram criticados: prefeitos das cidades-sede, governadores de Estados onde se realizarão os jogos — especialmente Geraldo Alckmin (SP) e Sérgio Cabral (RJ) —, além da presidenta Dilma Rousseff. § 10 Estive na África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010. Em qualquer país em desenvolvimento, os gastos com a promoção de grandes eventos esportivos geram revolta. E o descontentamento é alimentado todos os dias diante das exigências descabidas da Fifa. § 11 Mesmo não tendo se equivocado completamente, pois a Copa foi e será tema das manifestações, a imprensa deveria ter noticiado o 22f, como tem sido denominada a manifestação de 22 de fevereiro, com maior profundidade. Foi um ato que exigiu mais e melhor educação. (CARA, Daniel. Não foi contra a Copa: foi pela educação. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/colunas/danielcara/2014/02/25/nao-foi-contra-a-copa-foi-pela-educacao.htm. Acesso em: 04 abr. 2014. Adaptado.)

O objetivo comunicativo do texto é:

Sua resposta

Mais questões de Finalidade do texto e intenção do autor

Ver as 1.401 questões de Finalidade do texto e intenção do autor

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.