Língua PortuguesaInterpretação de textosFESMP RN 2005
MPE RN
Questão de Língua Portuguesa
Concurso Público para Provimento de Cargos dos Serviços Auxiliares de Apoio Administrativo do Ministério Público do Rio Grande do Norte MOTORISTA INSTRUÇÕES: 1. Verifique este Caderno de Prova Escrita. Ele deve conter 50 (cinqüenta) questões objetivas, assim distribuídas: CONHECIMENTOS GERAIS - 10 (dez) questões de Português; 07 (sete) questões de Atualidades; 04 (quatro) questões de História do RN; 04(quatro) questões de Aspectos Geoeconômicos do RN; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - 10 (dez) questões de Legislação do Ministério Público; 15 (quinze) questões de Legislação de Trânsito. bem como as questões em branco. ATENTAMENTE! 1. Não é permitida a consulta a livros, dicionários, apontamentos, apostilas, réguas, ou qualquer outro material. 2. Não é permitido o uso de aparelhos eletrônicos e calculadoras. 3. Não é permitido fumar no recinto. 4. Não é permitido ao candidato ausentar-se da sala de provas sem o acompanhamento do fiscal, antes de decorrida uma hora do início das provas. 5. A Comissão Especial do Concurso divulgará, após a realização da prova escrita, até o 5º (quinto) dia útil, o gabarito oficial do concurso. No Brasil, se "o hábito não faz o monge", muitas vezes é causa de atraso. O medo de modificar costumes inadequados a nossa realidade faz que permaneçamos estacionados e ultrapassados pelos novos tempos. Outros povos, com concepções mais arejadas e maior grau de discernimento, não titubearam em deixar para trás esse hábito surrealista (1). 05 Criou-se entre nós a idéia equivocada (2) de que um homem só está bem vestido quando abafa o corpo com um paletó e aprisiona a garganta com uma gravata, esse indefectível (3) adereço (4) de cores, tamanhos e estampas variados. Os defensores incondicionais do terno se esquecem de que sua elegância fica seriamente comprometida com a alta temperatura. É só o termômetro se aproximar de 30 graus para começarem as sessões de tortu- 10 ra sob o sol: camisas encharcadas, rostos e testas molhados, o suor descendo em bicas pelo corpo inteiro. Nada mais constrangedor e anti-higiênico do que um colarinho irremediavelmente amarelado. Muitas vezes, o suor rompe os limites da camisa e produz manchas de diversas formas e tamanhos nas costas de alguns infelizes. Mais lógico seria que, ao serem bombardeados nas ruas, nos ônibus, nos trens e 15 nos escritórios por esse calor insuportável, os homens reagissem com camisas sóbrias (5) e calças leves, mais apropriadas à estação. Não se trata de uma apologia (6) às bermudas, longe disso. É apenas a constatação de que não há nenhum impedimento estético (7), moral ou social no fato de se trabalhar com uma confortável camisa esporte aliada a um adequado par de calças. Há respeitáveis exemplos da viabilidade (8) dessa tese. Os 20 que têm idade ou memória suficientes ainda se lembram de quando um presidente da República - Jânio Quadros - se apresentou à nação envergando elegantes modelos safári, numa subversão radical dos centenários costumes palacianos. A atitude, no entanto, em nada diminuiu a imagem de autoridade que o presidente precisa ostentar, da mesma forma que as exibições do presidente Collor, em trajes esportivos, não afetaram - ao 25 contrário, puderam até ajudar - sua popularidade. Pode parecer estranho que essas propostas venham justamente de quem, no exercício de suas atividades diárias, se vê obrigado a usar as togas e becas típicas dos magistrados, as chamadas "vestes talares (9)". Com bom senso, no entanto, não haverá contradição. Os tribunais de Justiça, é claro, devem se cercar de usos que reflitam a gra- 30 vidade (10) e a importância das tarefas que são realizadas ali. Por isso, é conveniente que todos os que trabalham nos tribunais se apresentem nos julgamentos com trajes que exteriorizem o objetivo de promover e distribuir justiça. Concordo ainda com o argu- mento de que a grandeza dos tribunais aconselha que as pompas (11) tradicionais e milenares sejam respeitadas. Mas isso não impede que magistrados, promotores e ad- 35 vogados - como costuma acontecer nos dias de calor intenso - tirem os paletós antes de colocar togas e becas. De resto, não existe nenhuma inconveniência de que trabalhos em foros, cartórios e atividades de acompanhamento e andamento de processos sejam realizados por advogados e magistrados, por exemplo, sem gravatas. Se isso pode ocorrer sem maiores constrangimentos no ambiente austero (12) dos tribunais, 40 por que não pode acontecer também nas repartições públicas, indústrias, estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços? Não é lógico se manterem hábitos sem se saber ao certo quais são seus fundamentos. Os tempos são outros, exigem novas concepções (13), novos posicionamentos sociais. Precisamos ter coragem para pôr abaixo o que não tem razão de ser. As novas 45 realidades exigem atitudes mais arejadas. Literalmente. Chega de sauna compulsória (14) em roupa de gala(15). Abaixo a gravata, essa argola no pescoço dos que se dizem civilizados. Tenho esperança de que, brevemente, sem traumas, recalques ou compromissos com o passado, poderemos finalmente ir para o trabalho em roupa esporte na tentativa de driblar o desconforto de nossos verões encasacados (...) Vocabulário: (1) Surrealista: Fora da realidade. (2) Equivocado: enganoso, distorcido. (3) Indefectível: Que tem que existir; irrevogável; que não falha, inevitável. (4) Adereço: enfeite, ornamento. (5) Sóbrio: Não exagerado; razoável, equilibrado. (6)Apologia: Elogio, louvor. (7) Estético: Relativo à beleza, à harmonia. Revista VEJA, 09.01.91. (8) Viabilidade: Possibilidade de acontecer, de ser aplicado, de ser feito. (9) Talar: Que desce até o calcanhar. (10) Gravidade: Seriedade, sisudez, austeridade. (11) Pompa: Grande luxo, imponência. (12) Austero: Severo, sério, rigoroso, exigente. (13) Concepção: Idéia, conceito, ponto de vista, opinião. (14) Compulsório: Obrigatório. (15) Roupa de gala: Traje para solenidades.
Dentre os argumentos, o que melhor justificaria a abolição do paletó e da gravata nos ambientes de trabalho é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

