Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoLegatus 2024
Pref José de Freitas
Questão de Língua Portuguesa
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"Ele não soltou bolas das alturas da torre de Pisa", diz Noam Chomsky em "Os Segredos das Palavras", um livro com seu longo diálogo com o linguista italiano Andrea Moro, publicado pela editora Unesp. O que Galileu fez foram "experimentos mentais muito inteligentes". Galileu então generalizou: todas as coisas caem na mesma velocidade, se desconsiderarmos o atrito com o ar, que depende de suas formas —como um objeto de dez quilos de algodão tem uma superfície maior que um de dez quilos de chumbo, o primeiro cairá mais devagar. É com argumentos como esse, tirados da história da ciência, que Chomsky critica o "entusiasmo e a empolgação com a inteligência artificial", o "exagero e a propaganda sobre o quanto as conquistas são incríveis". Ele compara a excitação atual com o fetiche da tecnologia surgido no pós-Guerra nas universidades ianques. A Europa estava devastada, enquanto nos Estados Unidos a guerra propiciara os avanços tecnológicos que fizeram a produção industrial quadruplicar. Hoje em dia, diz Chomsky, os computadores "falam", mas não esclarecem como nasce e opera o instrumento vital ao pensamento: a linguagem. O que a inteligência artificial faz é simulá-la, enchendo-a com informações que abarrotam bancos de dados. O ceticismo de Chomsky ecoa o método de Newton, que concebeu a teoria da gravitação, mas evitou várias perguntas. "Por exemplo: como é o mundo? Qual é a natureza dele? Talvez jamais consigamos compreender essa questão. Newton deixou-a de lado. Até onde sabemos, estava certo." Contudo, a descoberta de Chomsky foi um avanço e tanto. Andrea Moro a explica assim: "a ligação entre a estrutura da linguagem e o cérebro é tão revolucionária que nos leva a uma surpreendente conclusão, que pode ser expressa de um modo que reverte a perspectiva tradicional de 2.000 anos. Foi a carne que se tornou logos, e não o contrário". A inteligência artificial ordena o que está contido nos "big data", os zilhões de informações dos supercomputadores. Por reiterarem os discursos dominantes, as formulações feitas pela IA têm um limite evidente: não podem se equiparar à criatividade humana. Texto de Mario Sérgio Conti (com adaptações), publicado em 22.dez.2023. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/mariosergioconti/2023/12 QUESTÃO 01 O texto constitui-se como um gênero artigo de opinião, que emprega muitas estratégias persuasivas para imprimir o ponto de vista acerca de um tema em evidência na sociedade. Infere-se pela leitura do texto que se evidencia o argumento de que o (a) (A) massa de trabalhadores está fadada a ser substituída pelo trabalho com a IA, semelhantemente, ao que ocorreu nos Estados Unidos no Pós-guerra. (B) IA veio para realizar trabalhos muito complexos mas também causará muitos estragos na forma como lidamos com o trabalho de pessoas mais vulneráveis. (C) cognição humana não será substituída pela IA, a máquina tecnológica é alimentada por zilhões de informações e é capaz de responder a estímulos emocionalmente. (D) homem é um único animal capaz de municiar a inteligência artificial, visto que os bancos de dados existentes são configurados pela capacidade de gerenciar as informações sobre a humanidade. (E) Sociedade deve se preparar para enfrentar o desafio espetacular proporcionado pelas informações online, visto que há uma “babel de informações” que devem ser processadas coerentemente. 1
A estratégia argumentativa de narrar uma historieta para relacionar o tema a ser discutido cumpre o propósito comunicativo de
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
