Questões de Língua Portuguesa · CEPS Pref Arapiraca

Língua PortuguesaGrau dos adjetivosCEPS Pref Arapiraca 2018

Pref Arapiraca

Questão de Língua Portuguesa

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA (NÍVEL SUPERIOR) Atenção: As questões de 1 a 5 referem-se ao texto que segue: DIMINUTIVOS Sempre pensei que ninguém batia o brasileiro no uso do diminutivo, essa nossa mania de reduzir tudo à mínima dimensão, seja um cafezinho, um cineminha ou uma vidinha. Só o que varia é a inflexão da voz. Se alguém diz, por exemplo, “Ó vidinha!” você sabe que ele está se referindo a uma vida com todas as mordomias. Nem é uma vida, é um comercial de cigarro com longa metragem. Um vidão. Mas se disser “Ah vidinha...” o coitado está se queixando dela e com toda a razão. Há anos que o seu único divertimento é tirar sapatos e fazer xixi. Mas nos dois casos o diminutivo é 5 usado com o mesmo carinho. O francês tem o seu “tout petit peu”, que não é um diminutivo, é um exagero. Um “pouco todo pequeno” é muita explicação para tão pouco. Os mexicanos usam o “poco”, o “poquito” e – menos ainda que o “poquito” – o “poquitín!”. Mas ninguém bate o brasileiro. Era o que eu pensava até o dia, na Itália, em que ouvi alguém dizer que alguma coisa duraria um “mezzoretto”. 10 Não sei se a grafia é essa mesma, mas um povo que consegue, numa palavra, reduzir uma meia hora de tamanho – e você não tem nenhuma dúvida de que um “mezzoretto” dura os mesmos trinta minutos de uma meia hora convencional, mas passa muito mais depressa – é invencível em matéria de diminutivo. O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o 15 sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais. “Operação”, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que “intervenção cirúrgica”, porque promete uma intervenção muito mais radical nos intestinos. Uma “operação” certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior. 20 Já uma “operaçãozinha” é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente. – Alô, doutor? Olha, aquele meu quisto no braço direito que nós íamos tirar hoje? A operaçãozinha? – Sim. – Não vou poder ir, mas o Asdrúbal vai no meu lugar. – O Asdrúbal? 25 – Meu assistente direto aqui na firma. Homem de confiança. – Mas ele vai fazer a operaçãozinha por você? – Ele é meu braço direito, doutor. Se alguém disser que precisa ter uma “conversa” com você, cuidado. É coisa da maior importância. Os próprios 30 destinos do Pacto do Atlântico podem estar em jogo. Um “conversa” é sempre com hora marcada. Já uma “conversinha” raramente passa do nível da mais cândida inconsequência. E geralmente é fofoca. A hora para uma “conversinha” é sempre qualquer hora dessas. Num “jogo” você arrisca tudo até a hora. Num “joguinho” aceita-se até o cheque frio. Entre ter um “caso” ou um “casinho” a diferença, às vezes, é a tragédia passional. 35 No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente em relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha. – Mais um “feijãozinho”? O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona-de- 40 casa o trata como um mingau de todos os dias. – Mais um “feijãozinho”? – Um pouquinho. – E uma farofinha? – Ao lado do arrozinho? – Isso. – E quem sabe mais uma cervejinha? – Obrigadinho. 45 O diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar horas tomando “cervejinha” em cima de “cervejinha” sem nenhum dos efeitos 50 que sofreria depois de apenas duas cervejas. – E agora, um docinho. E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões. Luis Fernando Veríssimo. Diminutivos. Comédia da vida privada. 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: LP&M, 1994. Prova de Língua Portuguesa (Ensino Superior) 1

De acordo com os manuais gramaticais tradicionais, os diminutivos expressam o caráter dimensional da língua, possibilitado pela categoria gramatical de grau. Alguns autores, no entanto, ressaltam alguns aspectos discursivos atrelados ao uso do diminutivo que podem ser sintetizados neste enunciado do texto: “O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem.” (L.14) Quanto ao uso do diminutivo no Português do Brasil explicitado no texto, aponte a opção INCORRETA:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.