Língua PortuguesaRadicais e afixos gregos e latinosFundatec 2014
CAU RS
Questão de Língua Portuguesa
Os donos do mundo 01 Não bastasse a noite maldormida por culpa de um vizinho que teima em bater portas e ouvir os CDs 02 da banda Metallica nas horas mais impróprias, um colega deixa, pela vez, logo na sua mesa, o 03 copinho sujo de café. Você respira fundo, joga-o no lixo e resolve recomeçar o dia. Abre a gaveta e vê que 04 alguém levou o seu grampeador sem falar nada. E, pior, ao tentar imprimir o texto, pronto desde o dia 05 anterior, descobre que a impressora – que todo mundo usa, mas ninguém reabastece – está sem papel. 06 Pode parecer exagero, mas atitudes como essas, pequenas, mas irritantes, pioram muito a qualidade de 07 vida. Contrariedades tolas contribuem para o que os ingleses chamaram, em recente pesquisa, de stress 08 invisível. Os maiores focos de irritação detectados pelo estudo foram: celular ligado em reuniões (85% das 09 reclamações), não reabastecer copiadora, fax ou impressora (75%), fofocar (60%) e “pedir emprestados” 10 objetos sem devolver (50%). Não é só lá que isto acontece. Consultados via Internet, os leitores de ISTOÉ 11 revelaram que, no escritório, se aborrecem mais com fofocas e boatos (24%) e com cigarros queimando no 12 cinzeiro (24%). Na vizinhança, o que mais incomoda é o barulho fora de hora (55%) e um carro estranho 13 parado em frente ... garagem (17%). 14 A jornalista Célia Ribeiro considera que invadir o espaço ou a vida alheia é falta de civilidade. 15 “Pessoas que assim são os famosos donos do mundo”, classifica Célia. E as piores invasões são a 16 fofoca e o boato. Uma frase maliciosa pode gerar grandes transtornos. Há dez anos, Edson Ferro, 40 anos, 17 foi lecionar numa escola de São Paulo. Bonito e comunicativo, foi aconselhado a ser formal com as alunas 18 . Algum tempo depois, ciosa do interesse que ele despertava, uma professora inventou que ele 19 era casado e tinha filhos gêmeos. O boato foi o assunto da escola por semanas e o obrigou ... se explicar 20 com a diretora, que estranhou que ele tivesse omitido a informação na entrevista de emprego. “Acharam que 21 eu agia de má-fé”, conta ele. 22 Pelo menos em tese, temos de manter relações cordiais com vizinhos e colegas de trabalho. Mas 23 nem sempre isso é possível. Criado há quatro anos e funcionando há três em Brasília, o Juizado Especial 24 Cível de Pequenas Causas abre em média 40 processos por dia. Boa parte deles trata de vizinhos brigões. 25 No cardápio, problemas triviais: infiltrações, som alto demais, animais domésticos. “Briga de vizinho é o caso 26 mais difícil de conciliar. As pessoas preferem entrar na Justiça do que bater na porta em frente e tentar 27 conversar”, constata Alexandre Guimarães Fialho, diretor da Central de Distribuição dos juizados. 28 Situações incômodas exigem que se aponte com clareza ao vilão que ele está incomodando. Como 29 fazer isso sem ofender? Para a consultora de etiqueta Célia, o caminho é ser franco sem ser rude. “Olhar 30 nos olhos da pessoa, sorrir e falar com voz delicada ajudam muito”, diz. O humor e a ironia leve também são 31 úteis. Há bastante tempo na mesma empresa, a assistente social Lucy Gonçalves Rebelo, 39 anos, usa a 32 brincadeira para se proteger. Ela trabalha numa sala com outras 20 pessoas e sua impressora fica num 33 corredor. Cada um que passa pega uma folha e, quando ela precisa, cadê? “Digo: ‘Ei você, que sempre 34 rouba minhas folhinhas, coloca papel aí.’ ... vezes, o bom humor custa algum esforço. 35 Placa explícita – As reações variam. A psicóloga Elizabeth Infante aponta quatro perfis básicos: o 36 executor, o comunicador, o socializador e o perfeccionista. “Cada um tende ... uma atitude diferente de 37 repúdio”, explica ela. O executor critica a atitude logo da primeira vez. O comunicador faz uma piadinha 38 simpática com o assunto. O chamado de socializador atura cinco ou seis vezes, mas, depois, passa ... evitar 39 o chato. O perfeccionista se permite falar de mínimos detalhes, mas o provável é que resolva a situação 40 colocando uma plaquinha explícita, como “lugar de lixo é no lixo”. 41 A psicóloga Elizabeth observa que o importante não é eleger o tipo ideal – afinal temos um pouco de 42 cada um –, nem ceder ... tentação de rotular o outro como “o chato”. O segredo está em lembrar que as 43 pessoas muito diferentes de nós nos incomodam e que como diferença não é ataque pessoal podemos 44 reagir sem hostilidade. Em seu novo livro Como lidar com pessoas difíceis, a consultora e hipnoterapeuta 45 americana Ursula Markham propõe meios eficientes de tratar essas situações. Para ela, pessoas 46 são as mais bem-sucedidas, porque não deixam as situações se deteriorarem. Manter baixo o 47 termômetro do stress nestes momentos é tão importante que o assunto faz parte dos estudos de prevenção 48 da saúde mental no trabalho da psicóloga Denise Monetti, da Fundacentro. “Pressão, fofoca, competição 49 excessiva, inveja e invasão de espaço não fazem parte das tarefas, mas exigem um esforço adicional que 50 gera o que chamamos de sofrimento mental”, explica ela. “A falta de limites e de respeito é um problema do 51 nosso tempo. Nos sentimos oprimidos e acabamos querendo oprimir também. É uma compensação”, 52 analisa Denise. A melhor compensação seria, certamente, evitar chateações desnecessárias. (disponível em http://www.istoe.com.br/reportagens/30630 – Texto adaptado) 2
Assinale a alternativa cujos vocábulos, todos retirados do texto, constituem-se cognatos.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

