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Questões de Língua Portuguesa · FADESP

Língua PortuguesaCoerência textualFADESP 2007

PM PA

Questão de Língua Portuguesa

Educação e violência televisiva Nos EUA, programas de TV convenientes às crianças já podem ser selecionados automaticamente. Na França, cada programa é aberto com uma tarja verde (livre), laranja (atenção!) ou vermelha (não recomendado). Embora o sistema apareça na tela em menos de cinco segundos, pesquisa comprovou que 80% dos telespectadores sabem o que significam as tarjas. No Brasil, apenas a TV Globo adverte, por áudio, que o programa é recomendável a crianças a partir de determinada idade. Cientistas e educadores constatam que muitas crianças não têm condições de diferençar a ficção da realidade. Afinal, quem de nós não acreditou em Papai Noel ou na existência da Branca de Neve? Certas cenas de filmes suscitam angústia nos telespectadores infantis, levando-os ao estresse precoce (insônia, diarréia, pavor etc.). A UNESCO pretende desenvolver um programa de educação para a imagem, a ter início com os desenhos animados. Fala-se, hoje, em "inteligência televisual" das crianças. Daí a importância de conexões entre escola e TV. No Brasil as crianças passam, em média/dia, 4 horas na escola e 4h30min diante da TV! Há escolas brasileiras que começam a dar os primeiros passos na educação para a imagem. Os alunos gravam em vídeo os anúncios e, depois, repassam na classe e debatem. Esse recurso ajuda a desenvolver um distanciamento crítico frente à publicidade. Minha geração educou-se, nos anos 50 em Belo Horizonte, em cineclubes. Os debates que se seguiam à exibição dos filmes favoreciam a nossa educação artística e política. Porém, falar em consciência crítica nessa onda de globalização que assola o Planeta é quase um palavrão. Prejudica os interesses de quem se empenha em formar, não cidadãos, mas consumidores. Nossa geração tinha referências altruístas: Jesus, Maria, São Francisco e, mais tarde, Gandhi, Luther King, Che Guevara etc. Éramos educados no idealismo, no sonho de mudar o mundo e fazer todas as pessoas felizes. Os paradigmas atuais são quase todos egocêntricos, violentos ou excessivamente erotizados: o exterminador do futuro, Rambo/Schwarzenegger, tartarugas Ninja, moças do Tchan etc. A educação resulta da confluência de ações da família, da religião, da escola e da mídia. Seu papel é interiorizar valores, padrões e normas de comportamento, e a ótica pela qual se encara a realidade, a vida, a história. Ocorre que, hoje, com a mercantilização crescente da mídia, mais interessada em entretenimento que em cultura (vide os programas dominicais na TV, que levam ao paroxismo a imbecilização), o interesse em transformar as crianças em consumidoras precoces se sobrepõe ao empenho em incutir-lhes ética, amor ao próximo, cidadania e valores espirituais. O resultado são seres humanos agressivos, inseguros quanto às suas referências, medrosos diante do futuro e dependentes – da família, da droga ou de amizades que são cúmplices em veredas obscuras... É bom relembrar o caso dos rapazes que, há tempos, em Brasília, acenderam a pira de nossos preconceitos e queimaram um índio pataxó. Vale a pergunta: o que ouviam, em casa, seus pais comentarem sobre índios, mendigos, negros e desocupados? Acredito que o modo como a família se refere aos demais segmentos da sociedade influi decisivamente na ótica que os filhos têm de seus semelhantes. Se uma patroa trata sua empregada doméstica como se fosse uma escrava, não deveria ficar surpresa se sua família demonstra nojo frente a pessoas subalternas e tem vergonha de fazer trabalhos domésticos, como lavar, varrer etc. Os pais são sempre modelos para uma criança. É verdade que a TV é, hoje, uma máquina de incentivo à violência. Porém, não descarreguemos sobre ela toda a culpa por nossas omissões. Uma boa educação familiar reduz o impacto que ela pode ter sobre as crianças. Pesquisa recente revela que, por ano, uma criança assiste, na TV, cerca de 18 mil assassinatos (telejornais, filmes e desenhos). Se os pais nunca debatem com os filhos o conteúdo dos programas, é possível que eles se tornem mais vulneráveis. Contudo, quem reage coletivamente a programa de TV? Quem escreve para os patrocinadores dos programas antiéticos? Quem deixa de comprar os seus produtos? Muitas vezes a falta de uma educação melhor dos mais jovens tem como causa principal a omissão dos adultos. Passivos, tornamo-nos cúmplices de tudo o que condenamos nessa cultura hedonista e violenta. Só a consciência de cidadania, a defesa dos direitos humanos e uma efetiva participação na vida social podem nos salvar de um futuro menos bárbaro. *Frei Betto é escritor e teólogo. Artigo divulgado no site Mídia da Paz (http://www.midiadapaz.org) e originalmente publicado em www.hypertexto.com.br. 3 Com base no texto, assinale a única alternativa que completa corretamente as questões de 01 a 15.

Releia a seguinte passagem do texto: “Se os pais nunca debatem com os filhos o conteúdo dos programas, é possível que eles se tornem mais vulneráveis.” O enunciado implícito que poderia dar continuidade a esse trecho, sem interferir na coerência do texto, é

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.