Língua PortuguesaPonto e vírgula e dois-pontosIDIB 2021
CREMERJ
Questão de Língua Portuguesa
O livro de cabeceira de Alexandre Alexandre da Macedônia é chamado de Grande porque conseguiu unificar as orgulhosas cidades-estados gregas, conquistar todos os reinos entre a Grécia e o Egito, derrotar o poderoso exército persa e criar um império que se estendeu até a Índia – em menos de treze anos. Pergunta-se desde então como um governante de um reino grego menor foi capaz de realizar essa façanha. Mas sempre houve uma segunda pergunta, mais atraente para mim: antes de mais nada, por que Alexandre quis conquistar a Ásia? Ao pensar sobre essa questão, acabei por me concentrar em três objetos que Alexandre levava consigo em suas campanhas militares e que punha embaixo de seu travesseiro todas as noites, três objetos que resumiam o modo como ele via sua campanha. O primeiro era um punhal. Ao lado dessa arma, Alexandre guardava uma caixa. E dentro da caixa estava o mais precioso dos três objetos: uma cópia de seu texto favorito, a Ilíada. Como ele escolheu esses três objetos, e o que significavam para ele? Alexandre dormia sobre um punhal porque queria escapar ao destino de ser assassinado como seu pai. A caixa ele a tomara de Dario, seu adversário persa. E a Ilíada, ele a levou para a Ásia porque era a história através da qual via sua campanha e sua vida, um texto fundamental que se assenhorou da mente de um príncipe que viria a conquistar grande parte do mundo então conhecido. A epopeia de Homero já era um texto fundamental para os gregos havia muitas gerações. Para Alexandre, adquirira a importância de um texto quase sagrado, e é por isso que sempre o levava consigo em sua campanha. É o que fazem os textos, sobretudo os fundamentais: eles alteram a maneira como vemos o mundo e também atuamos nele. Esse era decerto o caso de Alexandre. Ele foi induzido não só a ler e estudar esse texto, mas também a reencená-lo. Alexandre, o leitor, se pôs dentro da narrativa, vendo sua própria vida e sua trajetória à luz do Aquiles de Homero. Alexandre, o Grande, é bem conhecido por ser um rei extraordinário. Acontece que era também um leitor extraordinário. PUCHNER, Martin. O mundo da escrita: como a literatura transformou a civilização. 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
O uso dos dois-pontos no trecho “Mas sempre houve uma segunda pergunta, mais atraente para mim: antes de mais nada, por que Alexandre quis conquistar a Ásia?” tem a função de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

