Questões de Língua Portuguesa · INCAB (ex-FUNCAB)

Língua PortuguesaInterpretação de textosINCAB (ex-FUNCAB) 2014

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Questão de Língua Portuguesa

T EDITAL Nº 002/SGA/SEE PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO para Professor PNS-P2 – (Área de Linguagens e Códigos) CÓDIGO P01 “É importante dar o nosso amor independentemente do que encontramos como reação.” ATENÇÃO DURAÇÃO DA PROVA: 3 horas e 30 minutos. ESTE CADERNO CONTÉM 40 (QUARENTA) QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA, CADA UMA COM 5 ALTERNATIVAS DE RESPOSTA – A, B, C, D e E – CONFORME DISPOSIÇÃO ABAIXO. Quantidade de Valor de cada Disciplinas questões questão Língua Portuguesa 05 Língua Inglesa 05 Língua Espanhola 05 Arte 05 Conhecimentos Pedagógicos 20 3 3 3 3 2 RESERVE OS 30 (TRINTA) MINUTOS FINAIS www.funcab.org O texto adiante é uma adaptação da matéria “Índia Yawanawá vence preconceito e faz revolução feminina na floresta”, originalmente publicada por Mariana Sanches, em O GLOBO, em outubro de 2014. Leia-o, atentamente, e responda às questões propostas a seguir. Fonte: <http://www.portalamazonia.com.br>

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

Aldeia Yawanawá A voz é mansa. O tom é baixo. A fala é pausada. Rucharlo Yawanawá, de 35 anos, conversa como se a tranquilidade a habitasse. Nunca encara o interlocutor nos olhos, não gesticula, não grita ou gargalha. Seus modos contrastam com a revolução que liderou em sua própria vida e na tribo Yawanawá. Em uma aldeia no meio da densa Floresta Amazônica e distante sete horas de barco do município acriano mais próximo, Rucharlo se tornou a primeira mulher pajé – líder espiritual – de seu povo e, talvez, do país. É um raríssimo caso de liderança espiritual indígena feminina no Brasil. O xamã ou pajé é, ao lado do cacique, a maior autoridade de um grupo indígena. No caso dos Ya w a n a w á , s ã o e l e s o s g u a r d i õ e s d o s conhecimentos da tribo, desde a medicina até as artes. Acredita-se que tenham dons sobrenaturais – de adivinhação, de cura e até mesmo de matar inimigos telepaticamente. Fazem também a interlocução entre os vivos e os ancestrais. Segundo a sabedoria indígena, são os espíritos que ensinam ao pajé os segredos mágicos. [...] Tais comunicações acontecem em rituais em que os líderes espirituais tomam ayahuasca (chamada por eles de uni) e inalam rapé (uma mistura de tabaco em pó e da casca moída de uma árvore amazônica chamada por eles de tsunu). O efeito alucinógeno e estimulante das substâncias permitiria aos xamãs entrar no mundo dos mortos e nos sonhos das pessoas doentes. As doenças, segundo os Yawanawá, sempre têm explicação espiritual. E é o xamã quem descobre a causa do problema nessas incursões oníricas [...]. O processo para se tornar líder espiritual é, assim como o uso da ayahuasca, milenar. Até 2005, era também exclusivamente masculino [...]. No período da reclusão, Rucharlo começou a desenhar as revelações que recebia. Sem conhecer as letras, ela se fazia entender e registrava seu aprendizado por rabiscos. De tão bonitos, seus quadros já foram expostos em museus no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Com o tempo também descobriu que tinha o dom de “sentir o cheiro das doenças”, como descreve – habilidade fundamental para qualquer curandeiro. Mas, no processo, também chegou muito perto da morte. [...]. – Eu tinha que provar que era capaz. Sabia que era minha missão colocar as mulheres em um novo patamar, eu tinha que resistir – afirma Rucharlo [...]. Na crença indígena, pajés são seres evoluídos, a meio caminho entre os vivos e os mortos. Por isso falam vagarosamente e não encaram um olhar. Se o mundo de Rucharlo mudou depois de sua experiência, ela também mudou a tribo e o mundo das demais mulheres da aldeia.

Conforme registra o texto, Rucharlo Yawanawá reconhece e valoriza a cultura milenar de seu povo. Mesmo assim, com suas determinação e coragem, ela:

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