Questões de Língua Portuguesa · DCPS IFRJ

Língua PortuguesaPonto e vírgula e dois-pontosDCPS IFRJ 2010

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Questão de Língua Portuguesa

Texto I [...] Então, há algum sentido em escrever hoje? Por que não ficamos simplesmente reeditando e lendo as maravilhas do passado? Porque as coisas precisam ser ditas e reditas de forma nova e impactante. As palavras e as expressões são como facas; elas se desgastam. E a mesma coisa precisa ser dita de outra forma, de uma forma original. Esse é o sentido de você escrever, é o sentido de qualquer um escrever. Diga as coisas de forma original. Invente metáforas novas, comparações inusitadas. Existe um veneno para o poema ou para qualquer tipo de literatura, que se chama lugar comum. Não diga que sua amada é linda e você não poderia viver sem ela. Não diga que se sente só. Ou melhor, diga... mas de forma original, nova. Outro Nunca: não veja a poesia como expressão de sentimentos ou expressão do seu eu ou coisa parecida. Poesia é uma arte, é um fazer, é um trabalho. Se diante de um poema seu uma pessoa elogiar a sua pessoa, do tipo “que pessoa linda que você é”, aceite educadamente, mas sempre se conscientize de que essa pessoa elogiou um autor que não é você, é o autor do poema, que não se confunde com você pessoa física. Vou tentar explicar melhor. Existiu um poeta português, no começo do século, que escreveu alguns dos poemas mais conhecidos da língua.Além da qualidade indiscutível do seu trabalho, esse poeta tinha um diferencial em relação a outros grandes poetas, ele escreveu coisas importantes sobre o fazer poético. Ele disse uma coisa bem conhecida, mas que muita gente boa passa por cima: “o poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente”. Ou seja, você não precisa estar apaixonado para escrever um poema de amor. Você pode escrever um belo poema de louvor a Deus e ser um ateu. Sobre a pátria e não ser patriota. Quem tem de ficar com/movido com o seu poema é o seu leitor, não você! Assim, se alguém lhe diz que você é uma pessoa linda, ou uma bela alma, pense assim: a pessoa que eu fingi ser é linda, não necessariamente eu. E como diz o poeta, essa pessoa (ou essa Pessoa) fingida pode ser até você mesmo, e nem por isso será menos fingimento! Não precisa fazer de sua poesia um strip-tease das próprias emoções. Esse poeta tem uma frase cortante a respeito: “Sentir? Sinta quem lê!” Claro que você sabe que estou falando do velho Fernando. [...] AVELINO, Paulo. Carta a um jovem poeta (por um não poeta). Disponível em: <htpp//www.pucrs.br/gpt/poesia.php.>. Acesso em: 30 mar. 2010.

No Texto I, a vírgula poderia ser substituída por dois pontos (:) sem prejuízo de sentido em

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