Língua PortuguesaGêneros textuaisCOPS UFLA 2015
UFLA
Questão de Língua Portuguesa
1 Uma conhecida convidou os quatro netos pré-adolescentes para lanchar. Queria passar um tempo com eles, 2 como fazem as avós. Sentaram-se numa lanchonete. Pediram sanduíches e refrigerantes. Daí, os quatro sacaram os 3 celulares. Ficaram todo o tempo trocando mensagens com amigos, rindo e se divertindo. Com cara de mamão 4 murcho, a avó esperou alguma oportunidade de bater papo. Não houve. Agora, ela já prometeu: 5 – Desisti. Não saio mais com meus netos. 6 Cada vez mais as pessoas “abandonam” os outros para viver num mundo de relações via celular. Às vezes de 7 maneira assustadora. Vou muito para o Rio de Janeiro, sem carro. No meu trajeto, costumo escolher a Avenida 8 Niemeyer, cuja vista é linda. Mas é cheia de curvas. Durante o trajeto, preciso me acalmar e recitar o mantra “om... 9 ommmm” quando os motoristas atendem seus celulares. Dá medo, com o abismo pela frente! A falta de educação é 10 dos dois lados. Quem liga, se não é atendido, continua tocando sem parar. O motorista muitas vezes atende e diz 11 que não dá para falar. A pessoa do outro lado nem liga e continua o assunto. Alguns atores que eu conheço estão 12 detonando suas carreiras. Ficam no WhatsApp até o momento de gravar. Atuar exige concentração, “entrar” no 13 personagem. Se a pessoa “conversa” por mensagens até o momento exato de interpretar, fará pior. Está com a 14 cabeça em outro lugar. 15 A praga atingiu até o setor de serviços. Dia destes estava no caixa de uma livraria. A mocinha passava meus 16 livros e revistas com displicência enquanto falava ao celular. De repente, se confundiu. Teve de passar tudo de novo. 17 Desligou. Voltou ao trabalho, mas aí o celular tocou e... a fila atrás de mim só aumentava. O máximo que ouvi da 18 parte dela foi: 19 – Desculpa. 20 Tocou de novo, atendeu, tentando colocar meus livros numa sacolinha com uma única mão. 21 Em certos almoços, mesmo de negócios, é impossível tratar do assunto que importa. O interlocutor escolhe o 22 prato com a orelha no celular. Quando desliga, abre para verificar e-mails. Responde. Pacientemente espero. 23 Iniciamos o papo que motivou o almoço. O celular toca novamente. Dá vontade de levantar da mesa e ir embora. 24 Não posso, seria falta de educação. Mas não é pior ficar como espectador enquanto a pessoa resolve suas coisas 25 pelo celular, sem dar continuidade na conversa? 26 Também adoro um celular. Tenho amigos no exterior e trocamos mensagens diariamente. Mas faço isso 27 quando estou sozinho. Há também soluções rápidas, pessoais e profissionais onde ele ajuda e muito! Mas 28 hummm.... do ponto de vista profissional, nem sei se é tão bom assim. Celular não tem hora. Invade sem pedir 29 permissão. É uma decisão difícil não atender o telefonema de um chefe ou de alguém importante no trabalho. Ou 30 seja, a gente trabalha 24 horas direto! Há também quem chame durante uma reunião de trabalho importante. E, 31 como contei no caso do carro, continuam chamando mesmo sem ser atendidas, até tornar o papo profissional 32 impossível. Finalmente, ouço. 33 – Dá licença, vou atender e encerrar logo esse assunto. 34 Faço cara de paisagem enquanto a pessoa discute algo que nada tem a ver comigo. Penso: seria melhor, 35 muito melhor, não ter marcado reunião nenhuma. Mais fácil seria, sim, me impor através do celular, porque através 36 dele entro na sala de alguém quando quero, sem marcar hora. O aparelhinho invade até situações íntimas. Se fosse 37 só comigo, estaria traumatizado por me sentir pouco interessante. Mas sei de casos onde, entre um beijo e outro, 38 um dos parceiros atende o celular. Para tudo, sai do clima. Quando termina a ligação, é preciso de um tempo para 39 retomar. Mas aí, pode tocar novamente e... enfim, até nos momentos mais eróticos, o aparelhinho atrapalha. 40 Ainda sou daquele tempo de ter conversas francas e profundas, de olhar nos olhos. Hoje é quase impossível 41 aprofundar-se nos olhos de alguém. Estão fixados na tela de seu modelo de última geração. Conheço algumas raras 42 pessoas que se recusam (ainda!) a ter celular. Cada vez mais, se rendem. A vida ficou impossível sem ele. Eu descobri 43 uma estratégia que sempre funciona, se quero realmente falar com alguém. Convido para jantar, por exemplo. Ela 44 saca o celular. Pego o meu e envio uma mensagem para ela mesma, em frente a mim. Não falha. Seja quem for, 1 45 acha divertidíssimo. E assim continuamos até o cafezinho. Sem palavras, mas trocando incríveis mensagens pelo 46 celular. Todo mundo acha divertidíssimo. Walcir Carrasco. Revista Época. Disponível em: < http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-carrasco/noticia/2015/01/bma- Página educacaob-e-celular.html>. Acesso em: 9/3/2015.
INSTRUÇÕES: Leia o texto 3 para responder à questão 12 TEXTO 3
Disponível em: <http://www.cetsantos.com.br/cet_interna.asp?arqui=educacao/campanhas_educativas_2009. htm&secao=educacao>
Acesso em 3/3/2015. O produtor utiliza-se de diferentes estratégias de textualização para compor a campanha educativa. Assinale a alternativa que NÃO se sustenta à luz do texto:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

