Língua PortuguesaEncontros consonantais e dígrafosLegalle 2023
Pref Erebango
Questão de Língua Portuguesa
A primeira terça Dois do um de dois mil e um. As datas deveriam nos fixar no tempo como as coordenadas geográficas nos fixam no espaço, mas a analogia não funciona. Estar no segundo dia do primeiro mês do terceiro milênio não nos dá a mesma certeza de estarmos em algum lugar como dariam graus de latitude e longitude medidos de pontos fixos. O tempo não tem pontos fixos, o tempo é uma sombra que dá a volta na Terra, ou a Terra é que dá voltas numa sombra, e nossa única certeza é que será sempre a mesma sombra — o que não é uma certeza, é um terror. Dois do um de dois mil e um. Terça-feira. A primeira terça-feira do milênio. Na nossa fome de coordenadas no tempo nos convencemos até de que dias da semana têm características. De que a terça-feira, por exemplo, não serve para nada. De que terça é o dia mais sem graça que existe, sem a gravidade da segunda — dia de remorso e decisões — e o peso da quarta, que centraliza a semana (pelo menos em Brasília), ou a concentração da quinta, ou a frivolidade da sexta. Queremos que passar pelos dias seja como passar por meridianos e paralelos, a evidência de que estamos indo numa direção, e não entrando e saindo da mesma sombra. Não passando por cada terça-feira com a nítida impressão de que já estivemos aqui. Já que não há coordenadas e pontos fixos no tempo, contentemo-nos com metáforas fáceis: o significado de estar em dois do um de dois mil e um e que um novo milênio se estende como um imenso pergaminho à nossa frente, esperando para ser preenchido. Podemos escolher nosso destino, desenhar nossos próprios meridianos e paralelos e prováveis novos mundos. É verdade que a passagem do tempo não se mede pela degradação orgânica, e que a cada terça-feira estaremos mais perto da sombra que nunca passa, suspiro e reticências. Nenhum de nós chegará muito longe no novo milênio. Mas é bom saber que ele está aí, inteirão, à nossa espera. Fonte: Luis Fernando Verissimo.
Analise as assertivas: I. O x tem som de z quando aparece entre duas vogais, como em existe (l.18). II. Em graça (l.18), o ç representa o fonema /s/. III. A letra h, em início ou fim de palavras, não tem valor fonético, como em há (l.27). IV. Nos dígrafos lh, ch e nh, o h não altera o fonema das consoantes, permanecendo o som original. Sobre as assertivas, é CORRETO afirmar:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

