Questões de Língua Portuguesa · CEPERJ

Língua PortuguesaConcordância verbal e nominalCEPERJ 2011

IEEA RJ

Questão de Língua Portuguesa

Os desastres ensinam mais que os êxitos. Essa ideia pode soar paradoxal, mas é aceita por engenheiros. Estes dizem que as lições amargas surgem porque as razões do sucesso em questões tecnológicas muitas vezes são arbitrárias 5 e invisíveis, sendo que a causa de um fracasso específico com frequência pode ser identificada, documentada e estudada para que se possam buscar aperfeiçoamentos. Ou seja, desastres podem servir de incentivo à inovação. Não há dúvida de que, ao longo dos séculos, o processo de 10 construção de máquinas e indústrias pelo método de tentativa e erro já resultou em muito sangue e milhares de vidas perdidas. Os fracassos, às vezes terríveis, são inevitáveis, e engenheiros dizem que vale a pena tirar bom proveito deles para evitar erros futuros. O resultado disso é que uma série de façanhas tecnológicas que 15 definem o mundo moderno às vezes são fruto de acontecimentos que alguns gostariam de esquecer. “[O fracasso] é uma grande fonte de conhecimento, algo que nos impõe humildade e que às vezes é necessário”, disse Henry Petroski, historiador da engenharia na Universidade Duke e autor 20 de “Sucess Through Failure”. “Ninguém deseja fracassos. Mas tampouco é o caso de se desperdiçar uma boa crise.” Agora, dizem especialistas, esse tipo de análise provavelmente levará ao aprimoramento dos equipamentos e procedimentos complexos empregados por empresas para extrair petróleo em águas 25 cada vez mais profundas. Eles afirmam que a falha catastrófica de 20 de abril no golfo do México – que causou 11 mortes e desencadeou o pior vazamento marítimo de óleo da história dos EUA – incentivará avanços. “A indústria petrolífera sabe que isso não pode voltar a aconte- 30 cer”, disse David W. Fowler, professor da Universidade do Texas, em Austin. Em Londres, em 22 de junho, manifestantes do Greenpeace interromperam o discurso de um representante da BP, a empresa que perfurou o poço causador do vazamento. Antes de ser retirado do recinto, um manifestante gritou que a responsabilidade planetária 35 “implica em acabar com as perfurações perigosas”. A história da tecnologia sugere que esse fim é improvável. Equipamentos podem se tornar malvistos, mas raramente ou nunca são abolidos de forma planejada. Em lugar de pôr fim às aeronaves rígidas, a explosão do dirigível Hindenburg demonstrou os perigos 40 do uso de hidrogênio como gás para elevar balões e resultou em uma ênfase nova no uso do hélio, que não é inflamável. E a engenharia é, por definição, uma profissão de resolução de problemas. Do naufrágio do Titanic ao derretimento do reator de Tchernobil, em 1986, do desabamento da ponte Tacoma Narrows, em Washing- 45 ton, em 1940, à queda do World Trade Center, em 2001 – todos esses incidentes forçaram engenheiros a buscar soluções de falhas. Engenheiros de design dizem que, com frequência, a natureza de seu ofício é voar no escuro. O engenheiro britânico Eric J. Brown, que desenvolveu aeronaves 50 na Segunda Guerra Mundial, debateu o problema com franqueza. Em livro de 1967, descreveu a engenharia estrutural como “a arte de moldar materiais que não compreendemos realmente em formas que não podemos analisar realmente, para que resistam a forças que não podemos avaliar realmente, de maneira que o público não imagina realmente”. Em “Sucess Through Failure” , Henry Petroski chamou a aten- 55 ção para o corolário inovador. Os fracassos, disse, “com frequência levam obras a serem redesenhadas, conduzindo a coisas novas e aprimoradas”. (William J. Broad, Folha de S. Paulo, 2 de agosto de 2010, com adaptações)

Relacionada ao segmento “...milhares de vidas perdidas.” (l. 11), está redigida, segundo a norma culta, a frase:

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