Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaAliteração, assonância, onomatopeia e sinestesiaVunesp 2025

UNIFESP

Questão de Língua Portuguesa

Sei de uma criatura antiga e formidável, Que a si mesma devora os membros e as entranhas, Com a sofreguidão1 da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; E no mar, que se rasga, à maneira de abismo, Espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo. Cada olhar que despede, acerbo e mavioso2, Parece uma expansão de amor e de egoísmo. Friamente contempla o desespero e o gozo, Gosta do colibri, como gosta do verme, E cinge ao coração o belo e o monstruoso. Para ela o chacal é, como a rola, inerme3; E caminha na terra imperturbável, como Pelo vasto areal um vasto paquiderme. Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo Vem a folha, que lento e lento se desdobra, Depois a flor, depois o suspirado pomo. Pois essa criatura está em toda a obra: Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto; E é nesse destruir que as suas forças dobra. Ama de igual amor o poluto4 e o impoluto; Começa e recomeça uma perpétua lida, E sorrindo obedece ao divino estatuto. Tu dirás que é a Morte: eu direi que é a Vida. (Machado de Assis. Poesias completas, 2024.) 1 sofreguidão: voracidade. 2 mavioso: compassivo. 3 inerme: indefeso. 4 poluto: impuro.

Na construção do sentido do poema, o eu lírico recorre fundamentalmente aos seguintes recursos retóricos:

Sua resposta

Mais questões de Aliteração, assonância, onomatopeia e sinestesia

Ver as 245 questões de Aliteração, assonância, onomatopeia e sinestesia

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.