Língua PortuguesaOutros temasMPE-RS 2017
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Questão de Língua Portuguesa
29 de janeiro de 2017 - Este caderno contém 60 questões objetivas. Verifique se ele está completo e se não apresenta problemas de impressão. Se for o caso, solicite ao fiscal de sala a substituição deste caderno. - Preencha agora os campos destacados acima. No primeiro, escreva seu nome com letra legível; no segundo, aponha sua assinatura. fiscal de sala. - Não deixe nenhuma questão sem resposta. A partir do dia 06 de fevereiro de 2017, o gabarito das 60 questões objetivas será publicado no Diário Eletrônico do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, e também estará disponível para consulta no site www.mprs.mp.br/concursos. Direitos reservados ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul - Proibida cópia e/ou reprodução total ou parcial Instrução: As questões 1 a 10 estão relacionadas ao texto abaixo. 1. Pessoas que vivem em uma mesma sociedade e em uma mesma época partilham um sistema narrativo. Mais do 2. que isto, estão inseridas em um regime narrativo. Não se trata exatamente de uma “mentalidade”, segundo a ideia 3. que Jacques Le Goff propôs no início da década de 1970. Sua premissa, largamente apoiada em Lucien Febvre, 4. depois duramente criticada, era a ........ pessoas que viviam em uma mesma época tendiam a compartilhar uma 5. visão do mundo, o que desconsiderava as diferenças culturais engendradas, por exemplo, pelas diferenças sociais – 6. lembre-se da famosa afirmação ........ César e o último soldado das suas legiões compartilhavam algo. 7. Se, por um lado, as visões de mundo ou culturas podem variar profundamente de um grupo para outro dentro de 8. uma mesma sociedade, e se, por outro, é difícil aceitar a operacionalidade da ideia de um “espírito do tempo” 9. exterior às pessoas e às condições concretas de existência, não se pode negar totalmente ........ os indivíduos que 10. existem e se relacionam em um determinado tempo têm entre si algo que as conecta no plano da linguagem. Trata- 11. se, mais do que da língua em si, do complexo sistema através do qual ela organiza a experiência do tempo, ou seja, 12. a narrativa. 13. O filósofo Paul Ricœur chamou a atenção para a identidade narrativa a unir homens de um dado contexto. 14. Lançando mão da noção de imaginário, refletiu sobre as ferramentas que faziam a ligação entre o “tempo vivido” e o 15. “tempo do mundo”. Esta sensibilidade dentro da qual um determinado grupo em uma determinada época se forma é 16. fundamental para a conexão entre a experiência do indivíduo e o pertencimento ao mundo. A percepção da 17. passagem do tempo e a representação do indivíduo no mundo só podem ocorrer através da narrativa – e esta é, 18. obviamente, criação humana, estando sujeita, portanto, a variações no tempo e no espaço. 19. Nos grupos humanos, quem fala algo depende, para a sua aceitação ou compreensão, do que Ricœur chamou de 20. “pacto de leitura”, um acordo tácito entre o narrador e o leitor (ou receptor), o que implica a aceitação, por parte da 21. comunidade, de certos elementos como marcos do discurso no tempo – daí o reconhecimento ........ todo discurso 22. histórico tem em si um elemento ficcional. Assim, a sucessão de gerações ao longo do tempo, cada qual com a sua 23. identidade narrativa, seria o que o autor chama de “cadeias de memória”, isto é, de reelaboração narrativa da sua 24. experiência no tempo. 25. Outro pensador francês, Pierre Bourdieu, chegou a tratar do que qualificou de “contrato de leitura”. Esta ideia 26. reforça a noção de que uma determinada geração partilha necessariamente elementos no plano da linguagem que 27. tornam os seus indivíduos compreensíveis entre si, estabelecendo, através desta identidade narrativa, uma relação 28. peculiar com o tempo. Para Bourdieu, ao se relacionarem através do discurso, os participantes de uma cultura 29. lançam mão de “todos os pressupostos do senso comum”. 30. Não é difícil concluir que esta identidade narrativa vai ser diretamente afetada pela forma através da qual as 31. pessoas se relacionam com a ordenação discursiva da experiência no tempo. Sabemos que nenhum discurso pode 32. conter toda a realidade pretérita, uma vez que o passado é composto por situações complexas, e não por textos. 33. Portanto, uma identidade narrativa pressupõe a escolha de determinados elementos de maneira arbitrária para 34. ordenamento diacrônico no plano da fala ou da escrita, a partir de critérios que são compartilhados – embora 35. inconscientemente. Extraído e adaptado de: ELIAS, Rodrigo. Superinteressante, 30.1.2013. Disponível em:
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 4, 6, 9 e 21, nesta ordem.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

