Língua PortuguesaCompreensão de informações explícitasDIRENS Aeronáutica 2025
EEAR
Questão de Língua Portuguesa
[...] Dedicava-me às minhas ocupações singelas — e as ideias esvoaçavam em redor da Marta Varejão. Realmente não era feia, com aquele rostinho moreno, grandes olhos pretos, boca vermelha de beiços carnudos, cabelos tenebrosos, mãos de mulher que vive a rezar. E alta, airosa, simpática, sim senhor, ótima fêmea. Se ela me quisesse, eu não tinha razão para considerar-me infeliz. Queria. Na segunda-feira do carnaval, defronte do cinema, fora muito amável comigo. Olhadelas, sorrisos, um provérbio embaraçado, em francês. Aquilo prometia. Estava acabado, ia atirar-me a ela, como diz o Pinheiro. E se a D. Engrácia lhe deixasse a fortuna, bom casamento, negócio magnífico. Não que me preocupe exclusivamente com o dinheiro, pois se Marta fosse vesga e coxa, não a aceitaria por preço nenhum. Mas era bonita, e os bens da viúva davam-lhe encantos que a princípio eu não tinha descoberto. Tocava piano. Naquele momento reconheci no piano um caminho seguro para a perfeição. Falava francês. Não havia certamente exercício mais honesto que falar francês, língua admirável. Fazia flores de parafina. Compreendi que as flores de parafina eram na realidade os únicos objetos úteis. O resto não valia nada. Não seria difícil travar na igreja um namoro com ela, na missa das sete, e mandar-lhe, por intermédio de Casimira, umas cartas cheias de inflamações alambicadas, versos de Olavo Bilac e frases estrangeiras, dessas que vêm nas folhas cor-de-rosa do pequeno Larousse. Talvez, com algum trabalho, conseguisse completar para ela um soneto que andei compondo aos quinze anos e que teria saído bom se não emperrasse no fim. Depois obteria umas entrevistas à noite, à janela, e, conversa puxa conversa, pregava-lhe, ao cabo de uma semana, meia dúzia de beijos. Ficávamos noivos, casávamos, D. Engrácia morria. Imaginei-me proprietário, vendendo tudo, arredondando aí uns quinhentos contos, indo viver no Rio de Janeiro com Marta, entre romances franceses, papéis de música e flores de parafina. Onde iria morar? Na Tijuca, em Santa Teresa, ou em Copacabana, um dos bairros que vi nos jornais. [...] Caetés.
Coloque V para verdadeiro e F para falso, com base no texto, e em seguida assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) O narrador coloca o amor de Marta como o bem mais importante em sua vida naquele momento. ( ) O narrador pretendia continuar morando onde estava, após casar-se com Marta, pois o que mais lhe importava era o amor dela. ( ) No 3.° parágrafo, o narrador coloca pistas que amparam sua afirmação de que Marta o queria.
Mais questões de Compreensão de informações explícitas
- Quadrix 2026A reescrita do trecho “A relação entre trabalhadores e empresas nos Estados Unidos passa por uma mudança estrutural” para A relação entre trabalhadores e empresas nos Estados Unid…
- Ápice 2026Observe o infográfico: A leitura eficiente de gêneros textuais multimodais e de alta densidade informativa, como o infográfico apresentado, pressupõe a mobilização de diferentes e…
- Legalle 2026Tendo em vista as ideias, a simbologia e a atmosfera psicologica desenvolvidas no poema, analise as assertivas, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas: ( ) O sujeito poéti…
- Fênix Instituto 2026O texto menciona um estudo publicado na revista Computers & Education acerca dos efeitos da gamificação na aprendizagem. Com base exclusiva nas informações apresentadas, analise a…
- Fundatec 2026Qual é o principal objetivo do texto?
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



