Língua PortuguesaFinalidade do texto e intenção do autorReis e Reis 2024
Pref P Bernardes MG
Questão de Língua Portuguesa
“Podemos apreciar cada vez mais, nos dias de hoje, uma forte militância contra as mais variadas formas de preconceito, de maneira a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica. Infelizmente, porém, esse combate tão necessário não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornal e revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”, sem falar, é claro, dos instrumentos tradicionais de ensino da língua: as gramáticas normativas e parte dos livros didáticos disponíveis no mercado. O preconceito linguístico é tanto mais poderoso porque, em grande medida, ele é “invisível”, no sentido de que quase ninguém se apercebe dele, quase ninguém fala dele, com exceção dos raros cientistas sociais que se dedicam a estudá-lo. Pouquíssimas pessoas reconhecem a existência do preconceito linguístico, que dirá a sua gravidade, como um sério problema social. E quando não se reconhece sequer a existência de um problema, nada se faz para resolvê-lo. Nem mesmo na atuação de pessoas engajadas em importantes causas sociais, com posições politicamente progressistas, a gente encontra referências a ele, a não ser muito esparsamente. No âmbito do Estado brasileiro, por exemplo, vemos com grande satisfação o surgimento de instituições oficiais de combate ao racismo (como a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, criada em 2003), ao sexismo (como a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, criada em 2002), entre outras iniciativas semelhantes voltadas para a inclusão social de segmentos historicamente marginalizados e oprimidos. Não existe, porém, absolutamente nada que se pareça com uma política linguística oficial, planejada, explícita, teoricamente bem fundamentada, que se ocupe, por exemplo, dos direitos linguísticos dos falantes de línguas minoritárias (mais de duzentas no Brasil inteiro!), que defenda e valorize a diversidade linguística do português brasileiro, que lute pelo reconhecimento e pela legitimação (inclusive no âmbito educacional) das características especificamente brasileiras de falar a língua majoritária, características presentes no nosso modo de falar o português há séculos, mas até hoje veementemente combatidas pelos defensores de um ideal de “língua pura” antiquado, conservador e assumidamente reacionário.” (Preconceito Linguístico. Marcos Bagno. 56ª edição. Páginas 21-23)
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


