Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoInstituto Verbena 2026
Pref Gameleira de GO
Questão de Língua Portuguesa
Texto 1 O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o impacto é monumental. Essa fina camada de filme termoencolhível – que protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito materialmente insustentável. Segundo dados disponibilizados pela Câmara Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras. Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado. O argumento das editoras é pragmático: o plástico protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem. Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras entreguem os livros embalados individualmente em plástico. Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor. O cenário precisa mudar e já temos exemplos para seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel: deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência possível quando o conhecimento continua coberto por uma camada de poluição invisível. BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S. Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
O procedimento argumentativo usado no terceiro parágrafo do Texto 1 é baseado na
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

