Língua PortuguesaCorrelação de tempos e modos verbaisVunesp 2012
Pref SJC
Questão de Língua Portuguesa
Os pequenos príncipes Nos EUA, viajo de trem todas as semanas. Pode ser a melhor viagem do mundo. Ou a pior. Depende das crianças. Da existência delas. Quando não há crianças a bordo, são três horas de puro hedonismo pessoal. Entro na carruagem, desligo o celular, sento-me. Descalço os sapatos. Leio um pouco, escrevo um pouco, escuto música e durmo, são 30 minutos de meditação profunda, só para restaurar a minha beleza natural. Quando chego ao destino, sinto-me tão relaxado que a minha vontade é comprar uma passagem de volta e repetir o spa ferroviário. São as crianças que estragam tudo. Minto. São os pais das crianças. Existem dois grupos nas minhas experiências ambulantes. O primeiro é composto por múmias deslumbradas com os filhos. Não se mexem. Contemplam. E contemplam com orgulho a forma como a descendência berra, suja e destrói a carruagem. O amor dos pais-múmia não se manifesta por ação, mas por omissão. O segundo grupo é tão pernicioso quanto o primeiro. Mas onde antes havia déficit de disciplina, agora há excesso. Um gesto brusco dos filhos é mimetizado por um gesto brusco dos pais. Os filhos levantam-se subitamente, os pais levantam-se logo a seguir. Os filhos destroem a carruagem, os pais destroem os filhos. Seja como for, o resultado é sempre o mesmo: uma viagem arruinada para terceiros. Deus meu, serei um monstro por pensar assim? Pamela Druckerman diz que não. A sra. Druckerman é uma escritora americana a viver em França, mãe de três crianças e admiradora confessa das crianças dos outros. Crianças francesas, entenda-se. Como explicar a educação esmerada dos pequenos gauleses [franceses] por oposição à rebeldia incontrolável dos pequenos americanos? O segredo, conta a autora, não está no excesso de disciplina; muito menos na escassez dela. Está na forma adulta como os adultos normalmente lidam com as crianças. Ou descem ao nível mental delas; ou, pior, procuram elevá-las violentamente ao nível mental deles. Que cada um tenha um papel específico na relação (a saber: educar e ser educado), eis um pensamento simplório que não passa pela cabeça dos pais modernos. E, no entanto, é precisamente esse papel que os pais franceses tentam imprimir nos filhos. Como? Mostrando-lhes, de preferência sem berrar ou bater, que “não” é simplesmente “não”; que a frustração e o tédio fazem parte da existência humana; e que, às vezes, é preciso adiar uma gratificação. Tudo isso é comunicado sem violência ou sentimentalismo; apenas com respeito e firmeza. O resultado, escreve Druckerman, é visível: paz na hora das refeições; paz nas compras cotidianas; paz na aprendizagem escolar; e paz, também, para amigos ou convidados da família. Moral da história? Da próxima vez que tomar meu trem, prometo levar na mala alguns exemplares do livro da sra. Druckerman. Para oferecer em caso de emergência. (João Pereira Coutinho, Folha de S. Paulo, 07.02.2012. Adaptado)
Assinale a alternativa que completa, respectivamente, a frase com a correta relação entre os tempos verbais. Se a criança educada adequadamente, comportar-se em qualquer ambiente como, por exemplo, em um vagão de trem com outros passageiros.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
