Questões de Língua Portuguesa · FJPF (UFRJ)

Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoFJPF (UFRJ) 2004

TRT 1

Questão de Língua Portuguesa

REDAÇÃO atos de violência (números que, proporcionalmente, não A partir do tema abaixo, redija umtexto dissertativo, devem ser muito diferentes para o Brasil). entre 15 a 20 linhas, em linguagem culta, de modo a expressar com clareza os argumentos apresentados em defesa de sua posição. As perguntas apresentadas têm somente a intenção motivadora: você pode traçar um novo roteiro para a discussão do tema, mostrando novos problemas e soluções. Há algum tempo atrás, o governo brasileiro meteu-se em violenta discussão com os meios de comunicação por querer criar um código que estabelecia certo controle sobre o exercício da profissão de jornalista. A reação foi intensa por grande parte da sociedade, que não queria qualquer alteração na lei da liberdade de imprensa, por vê-la como uma garantia da democracia. Outros, porém, acreditam que a imprensa tem poderes demais e seus erros podem prejudicar irremediavelmente um cidadão. E você, o que acha? Quais os limites, se é que os deve ter, um jornalista deve respeitar? Quais as vantagens e desvantagens de se estabelecerem limites nessa área? Defesa (febril) da televisão Uma leve gripe me forçou a ficar na cama. Aproveitei para assistir a 18 horas seguidas de televisão [...] Queria verificar a quanta violência se expõe um espectador passando seu dia na frente da TV. A idéia surgiu porque a TV está sob suspeita. Mais do que cinema, Internet e videogames, ela é sempre culpada pelo que não dá certo com nossos jovens [...] Primeiro prova-se que, na vida de um jovem, a televisão é mais presente do que a escola e os pais. Em média, o jovem americano vê 1.500 horas de TV por ano. E passa apenas 900 na escola. A criança entre 2 e 11 anos assiste a três horas por dia de TV. E conversa de maneira significativa com os pais por apenas de cinco a seis minutos. Conclusão: a TV é quem mais influencia nossos rebentos. [...] Como ultimamente alguns jovens americanos tomaram as armas sem razão aparente, a TV, repetem hoje comentadores e experts, é uma escola de violência. Eis os números aparentemente impressionantes.Aos 18 anos, um jovem americano terá assistido na TV a 16 mil assassinatos (mais ou menos 3 por dia) e a 200 mil No fim de minha maratona, as estatísticas pareciam confirmadas. Cinco pessoas foram assassinadas em minha presença e 28 levaram tapas, pontapés, socos e mesmo surras. Parece muita violência? Não sei; em muitos casos (entre eles os 5 mortos) a violência era de uma certa forma justa, alvejava algum bem evidente. Mas, sobretudo, descobri que, durante as 18 horas, sete casais tinham se juntado para viver felizes. Outros nove resistiram a uma briga feia. Também 27 pessoas se apaixonaram, o número ímpar sugerindo que nem todas foram correspondidas. Nasceram duas crianças, uma não desejada – mas que encontrou os cuidados de uma comunidade generosa. Nove pessoas adoeceram, sete foram curadas ou confortadas, duas morreram em paz com Deus e o mundo. Aliás, uma aproveitou a ocasião para fazer as pazes com ambos. Globalmente, os criminosos, os malandros, os chatos, os corruptos e os interesseiros foram esmagados pelos bons cidadãos, trabalhadores e sinceros. Também a liberdade soberana dos indivíduos foi respeitada, mas não por isso falhou a generosidade comunitária. Na ausência (definitiva e provavelmente bem-vinda) de prescrições morais dogmáticas, a telinha contemplada por 18 horas me pareceu ser um código moral possível para nosso tempo. Ele não é composto de regras, mas de uma casuística de parábolas, cuja autoridade deriva do consenso implícito dos espectadores – pois a moral que triunfa na tela é a que encontra a aprovação da maioria. Os próprios anúncios publicitários fazem parte de nossas regras sociais de conduta. Eles alimentam o desejo indispensável numa economia neoliberal. Mas, acima de tudo, permitem a convivência pacífica em um mundo que, sem isso, seria entregue a ódios incontroláveis – por ser fundamentalmente regrado pela inveja. O anúncio cria e promove idéias comuns. Em vez de odiar meu vizinho por ele ter o carro que eu quero, juntos idealizamos o homem impossível, bonito e forte, que dirige o tal carro na TV. Esse homem não é nem ele, nem eu. A mediação do piloto televisivo inibe a inveja e a transforma em emulação – o suficiente para que o tecido social não quebre. Em suma, nas 18 horas, longe de estimular a barbárie, a televisão me ofereceu uma amostra dos costumes sociais e da moral social ordinária, uma espécie de revisão dos requisitos para a vida em sociedade neste fim de século. (Contardo Calligaris. Folha de S. Paulo, 3/6/99.) 1

O argumento fundamental apresentado no texto para a defesa da TV é que:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.