Língua PortuguesaInterpretação de textosFUCAPSUL 2025
Pref S P Alcântara
Questão de Língua Portuguesa
Razão (Ramires Linhares) A idiotice não é ausência de inteligência, é recusa. Um ato voluntário de quem escolheu proteger a própria ignorância como se fosse identidade. Há quem confunda paz com silêncio. Um silêncio que não nasce da serenidade, mas desta recusa. É a escolha de fechar os olhos diante da claridade, como quem prefere a sombra confortável da ignorância a encarar o brilho incômodo da verdade. A idiotice, então, não é ausência de luz, mas a cortina puxada com força para não deixar que ela entre. É uma teimosia disfarçada de convicção. E nada é mais perigoso do que uma certeza sem raízes. O homem, dizia Pascal, é um caniço pensante: frágil, mas feito para a razão. Quando abandona esse dom, se transforma em pedra, dura, imóvel, incapaz de florescer. E toda estagnação é um prelúdio da morte. O idiota não escuta, não contempla, não se permite a dúvida. Grita verdades frágeis como castelos de areia, que desmoronam ao primeiro sopro do vento. Mas, para ele, pouco importa: desde que o orgulho permaneça de pé, pode-se varrer a verdade para debaixo do tapete. Schopenhauer afirmou que a verdade passa por três estágios: é ridicularizada, depois combatida, e, por fim, aceita como óbvia. Mas os idiotas nunca a encontram, porque se perdem antes de iniciar o caminho. Por isso, talvez, viver de verdade seja manter acesa a centelha da dúvida, mesmo quando ela incomoda. É suportar o clarão da luz, mesmo quando cega por instantes. É não se contentar com a falsa paz da ignorância, mas escolher a inquietação da busca. Porque só quem aceita duvidar descobre, afinal, que a alma também respira pela razão. Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/razao-37719
De acordo com o texto, as pessoas idiotas, isto é, que padecem da idiotice apresentada no texto:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
