Língua PortuguesaVerbos defectivos e abundantesFCC 2012
TJ RJ
Questão de Língua Portuguesa
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres, embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. Há, em princípio, a produção humorística que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira, que passou pelos eventos da abolição e da República. Abre-se um espaço para a representação humorística pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam. Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas: o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?” O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização. Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo. Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”. (Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso. S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9) 2
Ambos os segmentos do texto têm o verbo empregado nos mesmos tempo e modo:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
