Língua PortuguesaInterpretação de textosCOSEAC UFF 2025
UFF
Questão de Língua Portuguesa
Texto 3 Ricardo Azevedo Num ambiente apenas técnico, impessoal, consumista e utilitarista – tempos, volto a dizer, de analfabetismo político e social – sinto que duas palavras andam cada vez mais No final de seu livro A letra e a voz, o 45 desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que “o complexo muitíssimo mais provável do que o simples, e o “utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em é tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos uno é muitíssimo menos provável do que o pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das diverso”. Creio que a literatura seja algo muito complexo e diversificado. Não pode ser vista como uma essência ou um elemento monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não! consequências”, perguntam aflitos: para que gastar dinheiro com literatura? Por que não dão ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar Para mim, a literatura lembra mais uma rica e de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos representam diferentes literaturas, todas legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém, que as literaturas são expressões da sociedade em que são produzidas. Para o sociólogo Norbert Elias, a literatura é sempre “testemunho e expressão de um certo nível de consciência”. Parece razoável pensar que, nos tempos individualistas, tecnológicos consumistas em que vivemos, as pessoas têm sido levadas a enxergar e a valorizar mais as forma de experimentar a verdade”. Falar de literatura significa falar de ficção e de linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da linguagem, criamos situações humanas complexas que não aconteceram, mas poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos a chance de pensar melhor sobre a vida e o mundo. A partir da literatura podemos nos “redescrever” como pessoas. A literatura tem o e 65 dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo. Não me refiro apenas ao número de palavras, mas, sim, a palavras que entram no nosso coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies, vocabulário de forma inesperada, para gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de status – do que a valorizar as outras pessoas. Vivemos, creio, num ambiente de grande analfabetismo político e social. O “modelo de consciência” dominante, para ficar com o termo de Norbert Elias, parece ser essencialmente expressar, expandir, ressignificar, “redescrever” nossos sentimentos, nossa visão política e social, nossa leitura da vida e do mundo. técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e higiênica − classifica, analisa, controla determina a função de tudo. Além disso, e a técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e visa ao menor custo e ao maior lucro. Para alguns (Hannah Arendt em A condição humana), a “racionalidade” nada mais é do que o “cálculo das consequências”. É preciso reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma ideia nova, por exemplo. AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.
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Ricardo Azevedo é escritor, ilustrador, compositor e pesquisador brasileiro, autor de muitos livros para crianças e jovens. “Literatura de ficção, escola e utopia” apresenta como tese central a ideia de que a literatura
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
