Língua PortuguesaSujeito e tipos de sujeitoFênix Instituto 2026
Pref N. Horizonte SC
Questão de Língua Portuguesa
Sobre humanos, besouros e vaga-lumes Noite dessas, após muitos anos, avistei uma série de vagalumes voando pela chácara. Fiquei empolgadíssima, porque fazia um tempão que não presenciava essa cena, que tem um quê de infância. Por conta disso, lembrei-me de uma crônica que escrevi há alguns anos e que segue bastante atual — aproveito para reproduzi-la, com pequenas atualizações. Fofos, os vaga-lumes são tipo besouros que emitem luz. Vejam que curioso: conheço um monte de gente que não gosta de besouros. Nunca vi ninguém reclamar de vaga-lumes, nem mesmo minha irmã, Tine, que detesta “bichos que voam”. A presença desses insetinhos que se acendem e apagam é sempre comemorada, até com gritos e palminhas. Amigos param para contemplar pirilampos em meio escuridão, pensar neles evoca lembranças de infância no interior, em meio ao silêncio e natureza. O interessante, no caso desses insetos, é que só as espécies mais evoluídas possuem a bioluminescência (como é chamado o fenômeno da emissão de luz), porque essas piscadelas facilitam a comunicação sexual e a defesa. Eles usam um padrão de piscadas que servem como códigos entre eles. Incrível mesmo é que todos nós, humanos, também somos emissores de luz — de forma metafórica e em diferentes proporções. Acredito muito que temos a capacidade sentir as vibrações alheias e nos conectarmos com a energia de quem nos cerca. O curioso, no entanto, é que, ao contrário da receptividade que temos com os vaga-lumes, boa parte das pessoas não consegue tolerar alguém brilhando mais do que elas. Validar o brilho alheio parece fora de cogitação. A saída mais fácil costuma ser tentar ignorar o brilho que, muitas vezes, ofusca os olhos. Ou, ainda, tentar desmerecê-lo — “nem é tão brilhante assim”, poderiam dizer alguns. Se esses humanos-besouro soubessem que, mesmo sem brilhar tanto, ainda podem encontrar possibilidades de se destacar na multidão, parariam de criticar os comportamentos alheios. Acho um pouco surreal perceber que a felicidade dos outros ainda incomoda. E qual é o antídoto? Seguir brilhando, em relação a. E apesar de. Meus estudos superficiais da Cabala mostraram um dos princípios básicos do misticismo judaico (aqui, numa simplificação muito particular): recebemos luz dependendo das dificuldades das ações empreendidas por nós. Conectando com uma energia superior, podemos superar obstáculos e garantir força. A premissa poderia ser uma chave. Se todos se concentrassem em emitir a maior quantidade de luz possível, em vez de tentar enfraquecer (ou apagar) a luz do outro, viveria um caminho mais digno e recompensador. Até porque, no final das contas, só o que importa é quanta luz propagamos por aí. Autora: Tríssia Ordovás Sartori - GZH (adaptado).
No trecho “Validar o brilho alheio parece fora de cogitação”, a palavra sublinhada exerce a função de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

