Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoCOPESE UFPI 2015
Pref Bom Jesus (PI)
Questão de Língua Portuguesa
A norma ortográfica é uma invenção necessária 01 Por ser uma convenção que contém não só regras como irregularidades, muitas pessoas imaginam que 02 a ortografia é um acidente histórico desnecessário, que apenas serve para dificultar a tarefa de quem escreve. 03 Sonhando com o cumprimento à risca de certo ideal atribuído ao alfabeto, segundo o qual cada som deveria ser 04 notado por uma única letra, imaginam que seria possível abrir mão da norma ortográfica. Esse bem- 05 intencionado sonho, porém, nunca poderia ser cumprido, como demonstraremos a seguir. 06 Em primeiro lugar, precisamos admitir que a escrita alfabética nota/representa ―coisas inestáveis‖, isto 07 é, as palavras orais. Como mencionamos há pouco, as palavras de uma língua não têm — não tiveram, nem 08 nunca terão — pronúncia única. Tomemos, por exemplo, as formas de pronunciar o nome do país de onde 09 vieram nossos primeiros colonizadores. Diferentes falantes de nossa língua pronunciam, por exemplo, 10 /purtugal/, /portugau/ ou /purtugau/. Se fôssemos transcrever fielmente os fonemas pronunciados, teríamos, ao 11 final, grafias diferentes. Pensando num texto longo, em que o mesmo problema ocorreria com muitas palavras, 12 isso implicaria um enorme trabalho para nós, leitores, já que não poderíamos identificar os vocábulos escritos 13 valendo-nos de formas ―fixas‖, que vamos armazenando em nossa mente. 14 Como já ressaltamos em outra ocasião (MORAIS, 2000), embora seja comum dizer-se que numa 15 escrita alfabética as letras representam as ―unidades sonoras mínimas‖, isto é, os fonemas, é preciso 16 reconhecer que esses não são exatamente ―unidades com uma identidade estável‖. Do ponto de vista teórico, 17 algo numa língua só constitui um fonema se, em oposição a outro fonema, produz mudanças de significado. Por 18 exemplo, /b/ e /v/ são dois fonemas em português, em que as diferenças sonoras entre /bela/ e /vela/ 19 constituem diferenças de significado. Já as variações no início da mesma palavra pronunciada como /tchiô/ e 20 /tiu/ constituem um único fonema, visto que seu significado principal continua o mesmo: aquele que é irmão do 21 pai ou da mãe de alguém. É necessário, portanto, reconhecer que a notação alfabética traduz para o papel 22 coisas que, por essência, não têm sempre ―um jeito único de ser‖. Ao fixar uma única forma gráfica (TIO, por 23 exemplo), a ortografia permite que, ao ler silenciosamente, possamos, de forma rápida, reconhecer igualmente 24 a mesma palavra, com a vantagem de, ao lê-la em voz alta, termos a liberdade de continuar usando nossas 25 distintas pronúncias. 26 Por outro lado, a fixação de formas escritas únicas, operada pela ortografia, não se limita à dimensão 27 sonora ou fonológica. Além de ―cristalizar‖ na escrita o que varia na modalidade oral, a norma ortográfica 28 permite que palavras com significados vinculados, mas com variações na pronúncia de certos segmentos, 29 permaneçam ―irmanadas‖. Desse modo, por exemplo, ao grafar com a mesma letra (C) os sons /k/ e /s/ das 30 palavras médico e medicina, a norma ortográfica ajuda a preservar, na escrita, a relação semântica que une 31 aquelas palavras. (MORAIS, Artur Gomes de. A norma ortográfica do português: o que é? para que serve? como está organizada? In: SILVA, ALEXSANDRO DA; MORAIS, Artur Gomes de; MELO, Kátia Leal Reis de. Ortografia na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 15-16)
O texto em questão faz parte do domínio acadêmico, o que faz com que utilize estratégias argumentativas específicas para embasar seu posicionamento. Dentre as estratégias a seguir, a única que NÃO é efetivamente utilizada no texto é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

