Língua PortuguesaMetáfora e comparaçãoFênix Instituto 2025
Pref São Domingos
Questão de Língua Portuguesa
Nunca gostei da casca do pão Nunca gostei da casca do pão. Sempre sinto um gosto mais amargo e a textura não me agrada tanto como o miolo molinho e quentinho de um pão caseiro quem recém saiu do forno. Essa minha rejeição das cascas começou ainda na infância. Lembro bem quando tentava negacear e tirar a parte de cima, mas minha mãe não costuma permitir. O pão com nata e chimia vinha sempre acompanhado da casca. A estratégia que eu adotava era começar comendo o que eu menos gostava. Começava, justamente, pela borda superior da fatia onde a massa do pão ficou em contato com o ar quente do forno. Depois seguia com mordidas geométricas até finalizar as quatro linhas. Restava então o que eu tinha interesse: o miolo do pão. Ao passar dos anos o pão também se transformou. Na minha casa já não era tão habitual ter pão caseiro saindo do forno dia sim, dia não. Aquele pão de forma industrializado chegava na minha casa com a missão de alimentar um adolescente que sempre tinha fome de sanduíche. Mas a casca, dessa vez uniformemente ruim nas quatro bordas da fatia, me fazia cortar as laterais antes de botar o sanduba na torradeira. Demorou alguns anos até eu me dar conta do baita desperdício que aquilo ali representava. Foi coincidentemente bem quando passei a comprar meu próprio pão. O bolso ensina tanto! Adotei então outras estratégias: que tal tentar o cacetinho? Aquela crocância da casca, para mim, é bem melhor que o gosto amargo da casca de um pão caseiro. Mas o gosto do miolo... Ah, nem se compara! Foi quando eu, que gosto muito de cozinhar, entendi que poderia usar as cascas do pão para fazer outras receitas. E nem estou falando apenas da farinha de rosca, mas das várias possibilidades que surgem com esses pedaços de pão que depois de ainda mais tostados (dessa vez com um fio de azeite) podem ser bem gostosos. Tenho aproveitado tanto o miolo do pão com o recheio que eu prefiro e com a parte que gosto verdadeiramente. O restante não vira mais desperdício e nem é resquício da birra de criança mimada ou de um adulto mal-educado. Esses dias atrás ao comer uma dessas fatias de pão com nata que eu tanto gosto, me dei conta de quantas coisas na minha vida também eram ou ainda são cascas de pão. Ache uma serventia para as suas “cascas de pão” e não permita ter que engolir algo no seco por obrigação. Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).
No trecho final, o autor afirma: “quantas coisas na minha vida também eram ou ainda são cascas de pão”. Essa expressão cumpre função metafórica no texto. Assinale a alternativa que melhor explica essa relação.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


