Questões de Língua Portuguesa · FJPF (UFRJ)

Língua PortuguesaInterpretação de textosFJPF (UFRJ) 2006

CRMV RJ

Questão de Língua Portuguesa

CRMVRJ Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro Agente de Fiscalização Auxiliar Administrativo INSTRUÇÕES · Você receberá do fiscal: · Um caderno de questões contendo 50 questões objetivas de múltipla escolha. · Um cartão de respostas personalizado. · Ao ser autorizado o início da prova, verifique, no caderno de questões, se a numeração das questões e a paginação estão corretas. · Você dispõe de 4 (quatro) horas para fazer essa prova. Faça-a com tranqüilidade, mas controle o seu tempo. Esse tempo inclui a marcação do cartão de respostas . · Nãoé permitido copiar os assinalamentos feitos no cartão de respostas. · Você só poderá levar seu caderno de questões ao término da prova. · Somente após decorrida uma hora do início da prova, você poderá entregar o cartão de respostas e retirar-se da sala de prova. · Os três últimos candidatos de cada sala só poderão ser liberados juntos. · Se você precisar de algum esclarecimento, solicite a presença do responsável pelo local. 2006 2 Augusto Nunes – Jornal do Brasil, 18-11-2006 Brasileiros informados apenas por livros escolares aprendem que a escravidão inscreveu o homem cordial entre os campeões da mais hedionda forma de comércio: a compra e venda de gente. Isso é correto. Aprendem também que as viagens nos porões impunha sofrimentos inverossímeis a quem já perdera o lar, a família, a pátria e a individualidade. Isso é igualmente correto. Aprendem, enfim, que o apresamento de um navio negreiro por embarcações da Marinha Britânica, transformada em generosa polícia das águas por ordem de Sua Majestade, significava a restituição aos escravos do direito à liberdade, à vida e ao sonho. Isso é um equívoco, demonstra o relato do pastor Pascoe Hill. Trata-se da afirmação de um pavoroso paradoxo para incontáveis cativos, a libertação precipitava a morte. Em abril de 1843, o reverendo voltava do Rio para Londres quando o destino o surpreendeu com uma experiência singularíssima. Numa incursão fluvial por Moçambique, a fragata Cleópatra interceptou o negreiro Progresso, de bandeira brasileira. Hill juntou-se, como intérprete e homem de Deus, aos marinheiros ingleses incumbidos de render a tripulação capturada e conduzir o navio à cidade do Cabo. Seriam 50 dias de horror. Enquanto quebravam grilhões e correntes que martirizavam 447 africanos escravizados, os libertadores ouviram o uivo dos resgatados do inferno, o grito dos vingados, o choro dos socorridos na 25ª. hora. Nos 50 dias seguintes, ouviriam o uivo dos agonizantes, o grito dos traídos, o choro dos resignados. Durante a viagem, 163 corpos foram jogados ao mar. Outros sucumbiriam já no porto supostamente seguro. Tecnicamente, nenhum morreu de morte matada. Só de morte morrida. Mas a verdade é que foram vítimas do despreparo dos libertadores para lidar com os libertados. As tripulações negreiras sabiam administrar a desgraça, sabiam como tratar a carga humana. Impiedosos e de alma calejada, sabiam que perder um corpo era perder dinheiro. Sabiam chegar às praias do Brasil com perdas inferiores a 10%. Sobravam água e alimentos, distribuídos com astúcia e critério. Preferências tribais influenciavam a dieta. Não se comia demais nem de menos. Havia até médico a bordo. Os negreiros eram profissionais. Na primeira noite, diante da tempestade iminente, os ingleses devolveram ao porão os libertos que dormiam no convés. Fechado novamente o tombadilho, o pânico assumiu o leme. Morreram 54. Como os corpos, também seus nomes desapareceram no mar.

“A libertação que assassinava”; o texto se justifica porque:

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