Questões de Língua Portuguesa · Cebraspe

Língua PortuguesaModo imperativoCebraspe 2003

MEC

Questão de Língua Portuguesa

Cargo: Classificação II / Área: Informática – 2 / 13 A melhor e a pior corrida do mundo 1 Há mais de dois mil anos, um rico mercador grego tinha um escravo chamado Esopo. Um escravo corcunda, feio, mas de sabedoria única no mundo. Certa vez, para provar as qualidades de seu escravo, o mercador ordenou: 4 — Toma, Esopo, aqui está este saco de moedas. Corre ao mercado. Compra lá o que houver de melhor para um banquete. A melhor comida do mundo. 7 Pouco tempo depois, Esopo voltou do mercado e colocou sobre a mesa um prato coberto por fino pano de 10 linho. O mercador levantou o paninho e ficou surpreso: — Ah, língua! Nada como a boa língua que os pastores gregos sabem tão bem preparar. Mas por que 13 escolheste a língua como a melhor comida do mundo? O escravo, de olhos baixos, explicou sua escolha: — O que há de melhor do que a língua, senhor? 16 A língua é que nos une a todos quando falamos. Sem a língua não poderíamos nos entender. A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua é 19 que se constroem as cidades, graças à língua podemos dizer o nosso amor. A língua é o órgão do carinho, da ternura, do amor, da compreensão. É a língua que torna eternos os 22 versos dos grandes poetas, as idéias dos grandes escritores. Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se descreve, se elogia, se demonstra, se 25 afirma. Com a língua dizemos “mãe”, “querida” e “Deus”. Com a língua dizemos “sim”. Com a língua dizemos “eu te amo!”. O que pode haver de melhor do que a língua? O 28 mercador levantou-se, entusiasmado: ) Muito bem, Esopo! Tu, realmente, me trouxeste o que há de melhor. Toma agora esta outra sacola de moedas. 31 Vai de novo ao mercado e traz o que houver de pior, pois quero ver a tua sabedoria. Mais uma vez, depois de algum tempo, o escravo Esopo voltou do mercado trazendo um prato coberto por 34 outro pano. O mercador recebeu-o com um sorriso: — Hum! já sei o que há de melhor. Vejamos agora 37 o que há de pior... O mercador descobriu o prato e ficou indignado: — O quê? Língua? Língua outra vez? Língua? Não 40 disseste que a língua era o que havia de melhor? Queres ser açoitado? Esopo baixou os olhos e respondeu: — A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. 43 É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que separa a 46 humanidade, que divide os povos. É a língua que usam os maus políticos quando querem nos enganar com suas falsas promessas. É a língua que usam os vigaristas quando querem 49 trapacear. A língua é o órgão da mentira, da discórdia, dos desentendimentos, das guerras, da exploração. É a língua que mente, que engana, que esconde, que explora, que blasfema, 52 que insulta, que se acovarda, que mendiga, que xinga, que bajula, que destrói, que calunia, que vende, que seduz, que corrompe. Com a língua, dizemos “morre” e “canalha” e 55 “demônio”. Com a língua dizemos “não”. Com a língua dizemos “eu te odeio!”. Aí está, senhor, porque a língua é a pior e a melhor de todas as coisas! Guilherme Figueiredo. A raposa e as uvas. Texto adaptado por Pedro Bandeira.

Com base nas relações morfossintáticas, semânticas e discursivas empregadas no texto acima, julgue os itens a seguir. Os fragmentos “morre”, “canalha”, “demônio” (R.54-55) e “eu te odeio!” (R.56) são formas verbais no modo imperativo.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.