Língua PortuguesaPolifonia e citação de vozes no textoFCC 2012
TST
Questão de Língua Portuguesa
Escolhi Perrault, o primeiro a tomar a voz da tradição oral e imprimi-la no mundo oficial da literatura. Escolhi 5 Chapeuzinho Vermelho, Le petit chaperon rouge, que, por alguma razão, foi retomado tantas vezes, a serviço de outras enunciações. Assim encaminhei este meu trabalho [...]. Colocava sob minha análise um texto que já nascera das vozes do folclore, e propunha-me entender as relações deste texto com suas variantes intertextuais. Sabia, então, que teria de transformar a antiga prática de trabalhar com uma obra como um campo fechado em si mesmo. A obra não poderia mais ser vista como um monólogo de um sujeito independente, que 10 pressupõe, além de seus limites, apenas um leitor receptivo, privilegiado por uma intuição especial. Chapeuzinho Vermelho não era um todo autônomo, como não o eram suas variantes intertextuais. Não poderia, portanto, por analogia à língua-mãe, na história das línguas, ser considerado o primeiro, o único, já que, ele próprio, era atravessado pelas vozes milenares da tradição oral. [...] Desmoronava-se a ideia de centro, enquanto uma descentralização da língua e do discurso ia-se mostrando como 15 uma frente muito nebulosa, difícil de ser praticada. Foi então que conheci o dialogismo bakhtiniano. Apenas o Adão mítico, que chegou com a primeira palavra num mundo virgem, ainda não desacreditado, somente este Adão podia realmente evitar por completo esta mútua-orientação dialógica do discurso alheio para o objeto. Para o discurso humano, concreto e histórico, isso não é possível: só em certa medida e convencionalmente é que pode dela se afastar (Bakhtin, 1988, p. 88). 20 Entendi que o que acontecia não era apenas a perda de um centro único. Era o diálogo que perpassa todo discurso; era o plurilinguismo social e histórico (Bakhtin, 1988b, p. 82). Teria de parar de pensar numa língua única, num único sujeito de um discurso. Teria de entender que há sempre a palavra de um outro, junto daquela que eu julgo ser de um. Importava, e muito, o diálogo do eu com o outro, ou seja, a verdade de que o outro permeia todo o fio do meu discurso, permeia as variantes intertextuais, permeia o texto-base. 25 Com esse outro inevitável, compactuo, entro em conflito, brinco; posso até transfigurá-lo esteticamente. Isso, quando tenho consciência dele e represento-o no meu discurso, porque o tomo como sujeito-parceiro da construção da minha enunciação. Isso é intertextualidade. Assim esse conceito será trabalhado daqui para a frente. (Discini, N. Introdução. Intertextualidade no conto maravilhoso. São Paulo: Humanitas, 2002. p. 9-11) 9
11
Está alinhada com ideias desenvolvidas no texto a seguinte consideração:
Mais questões de Polifonia e citação de vozes no texto
- AMAUC 2026À luz dos estudos discursivos e da linguística textual, no que se refere aos conceitos de dialogismo, polissemia, polifonia e heterogeneidade discursiva, assinale a alternativa co…
- Fronte Concursos e Projetos 2026O autor utiliza a expressão "competência polifônica" para caracterizar o exercício do magistério na atualidade. Pela análise do último parágrafo, essa competência pode ser definid…
- FCPC 2026No âmbito das normas brasileiras de apresentação de trabalhos acadêmicos, a função principal de uma citação consiste em:
- Selecon 2026Considerando o conjunto das fontes citadas no texto — Claudia Aguirre, Karin James, Virginia Berninger, Kathleen Wright e Kelsey Voltz-Poremba —, a função dessas vozes na arquitet…
- Legalle 2026Analise as partes que seguem: Na citação final da materia, o agrônomo Roberto Betancur utiliza o registro formal para tranquilizar a população, garantindo que as perdas se concent…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


